CALI, Colômbia — O advogado e empresário Abelardo de la Espriella tomou posse na última sexta-feira (7) como o novo presidente da República da Colômbia. Em um gesto inédito que quebrou uma tradição de mais de um século, a solenidade de transmissão de cargo não ocorreu na capital, Bogotá, mas sim na Arena USC, localizada em Cali — região marcada por recentes tensões de segurança e presença de grupos armados ilegais.
A posse de De la Espriella, líder do movimento Defensores da Pátria, consolida uma guinada política à direita no país após o mandato do esquerdista Gustavo Petro. O novo mandatário venceu o segundo turno eleitoral disputado contra o candidato governista Iván Cepeda.
Os momentos de destaque e os eixos do novo governo
A cerimônia contou com a presença de chefes de Estado, comitivas internacionais e forte aparato de segurança composto por mais de 11 mil militares. Três pilares fundamentais direcionam as prioridades anunciadas pelo novo governo:
- Política de segurança de linha-dura: Em discurso com forte tom militar proferido na área externa do Cantão de Pichincha, o presidente prometeu endurecer o combate ao narcotráfico e reclassificar organizações criminosas como grupos terroristas. Entre as medidas anunciadas estão a expansão do sistema prisional, a erradicação de cultivos de coca e o fortalecimento da autoridade do Estado.
- Fé e retórica conservadora: Acompanhado de líderes religiosos e de sua família, De la Espriella enfatizou a dimensão espiritual em seu pronunciamento, afirmando que “uma nação sem princípios está condenada ao fracasso” e destacando o compromisso de afastar a Colômbia de modelos bolivarianos.
- Reorientação nas relações internacionais: O novo governo sinalizou uma mudança drástica na política externa colombiana. Entre as propostas em pauta estão o restabelecimento imediato das relações diplomáticas com o Estado de Israel — cortadas durante a gestão anterior —, a aproximação com os Estados Unidos e a reavaliação da permanência do país em organismos multilaterais.
Desafios de gestão
Com promessas de redução da máquina pública, incentivo ao setor empresarial e ampliação do direito ao porte de armas para cidadãos, Abelardo de la Espriella assume o poder enfrentando o desafio de pacificar regiões conflagradas do país e reorganizar a administração pública em meio a um cenário de polarização política e fiscal.
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