JACAREÍ (SP) – A Prefeitura de Jacareí decidiu dar sequência aos trâmites administrativos para desapropriar o terreno e as instalações da antiga fábrica da Caoa Chery no município. A medida foi tomada após o encerramento do prazo concedido pelo poder público local sem que as empresas apresentassem um plano objetivo e concreto de reativação da planta industrial, cujas atividades estão paralisadas desde maio de 2022.
A notificação formal, formalizada por meio de ofício endereçado à presidência do Grupo Caoa e à gerência-geral da Chery International no Brasil, registra o esgotamento das negociações amigáveis. Segundo a administração municipal, o terreno havia sido doado sob condições específicas de desenvolvimento econômico e geração de empregos. Diante do não cumprimento dessas cláusulas contratuais e do encerramento da tolerância temporal concedida, a prefeitura deu início à etapa que pode culminar na edição do decreto de desapropriação e na retomada do imóvel.
Promessa de modernização não cumprida
Inaugurada originalmente em 2014, a unidade de Jacareí foi a primeira planta fabril de uma montadora chinesa a se instalar no Brasil. Com capacidade nominal para produzir até 150 mil veículos por ano, a estrutura suspendeu suas operações em 2022 com a justificativa oficial de que passaria por uma reformulação tecnológica para a produção de veículos elétricos e híbridos.
A promessa inicial indicava a retomada do projeto fabril até 2025. Contudo, após sucessivas cobranças por parte do município — que concedeu prazos e extensões ao longo do último ano —, nenhuma proposta concreta para a reativação foi entregue pelas companhias. Paralelamente, o grupo optou por concentrar seus esforços industriais na fábrica de Anápolis (GO) e em novas parcerias operacionais, deixando o complexo de Jacareí sem perspectiva de reabertura.
Próximos passos e função social da área
Com o avanço do processo de desapropriação-sanção, a Prefeitura de Jacareí busca dar uma destinação socioeconômica ao espaço de modo a compensar os prejuízos acumulados ao erário e ao mercado de trabalho local. A intenção declarada pela gestão municipal é realizar a avaliação patrimonial dos investimentos públicos efetuados para, futuramente, levar a área a leilão ou atrair novos investidores industriais capazes de gerar postos de trabalho e movimentar a economia da região.
Apesar da medida administrativa, a administração local sinalizou que permanece aberta ao diálogo, caso as empresas apresentem uma proposta juridicamente vinculante antes da consolidação judicial ou decreto definitivo da perda da posse. Até o momento, as assessorias de Caoa e Chery não apresentaram contestação pública formal ao ato.
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