Presidente da Conafer, Carlos Roberto Ferreira Lopes, é preso pela Polícia Federal por esquemas de fraude no INSS

Brasília — A Polícia Federal (PF) efetuou a prisão de Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Lopes, que estava foragido desde novembro de 2025, apresentou-se na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal na noite de quarta-feira. Após os procedimentos administrativos de praxe, o investigado será encaminhado ao sistema prisional.

​A prisão ocorreu no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada para desarticular um esquema bilionário de descontos associativos não autorizados diretamente na folha de pagamento de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

​Entenda a investigação

​De acordo com os relatórios da Polícia Federal encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Conafer é apontada como peça central no esquema ilícito, que teria desviado mais de R$ 708 milhões de aposentados por meio de filiações falsas.

​O modus operandi consistia em cadastrar beneficiários sem o seu consentimento para viabilizar a cobrança de mensalidades indevidas. Os valores arrecadados eram repassados a empresas de fachada, utilizados para o enriquecimento ilícito dos envolvidos e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e políticos, garantindo a continuidade do esquema.

​Prisão e desdobramentos

​Carlos Roberto Ferreira Lopes era considerado foragido desde 17 de novembro de 2025, quando foi alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo STF na 9ª fase da operação, mas não havia sido localizado. Recentemente, a Polícia Federal concluiu o inquérito referente ao núcleo da Conafer e indiciou 48 pessoas.

​A PF apontou que o presidente da entidade deve responder por:

  • Organização criminosa
  • Lavagem de dinheiro (em caráter majorado e reiterado)
  • Corrupção ativa majorada

​Com a entrega voluntária do dirigente às autoridades civis em Brasília, a Polícia Federal dá prosseguimento às etapas judiciais do caso, enquanto as investigações sobre os repasses e desvios de recursos do INSS seguem em andamento sob supervisão da Justiça Federal.


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