O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou o segundo trimestre com lucro líquido ajustado de R$ 3,908 bilhões, registrando uma recuperação de 13,9% na comparação com os três meses anteriores e um avanço de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado superou as projeções médias do mercado financeiro, sustentado principalmente pela expansão da margem financeira bruta e pelo avanço nas receitas de prestação de serviços. No acumulado do primeiro semestre, o lucro líquido ajustado da instituição somou R$ 7,3 bilhões.
Apesar da recuperação trimestral dos lucros, o balanço da estatal reflete a contínua pressão do cenário de crédito. A taxa de inadimplência para atrasos superiores a 90 dias encerrou o mês de junho em 5,61% da carteira total — um salto em relação aos 5,05% registrados em março e aos 3,96% apurados em junho do ano anterior. A deterioração da qualidade dos ativos foi impulsionada, sobretudo, pelo segmento de pessoas físicas (cuja inadimplência alcançou 8,41%, puxada pelo cartão de crédito) e pelas pressões enfrentadas no setor do agronegócio.
A carteira de crédito expandida do banco atingiu R$ 1,31 trilhão ao final de junho, o que representa uma alta de 1,5% em 12 meses. O grande destaque foi o segmento agro, que avançou 4,1% ano a ano, somando R$ 421,6 bilhões. Por outro lado, o portfólio voltado às pessoas físicas somou R$ 357,6 bilhões (alta de 4,4% na comparação anual, mas leve retração de 1,2% na trimestral), enquanto a carteira de pessoas jurídicas recuou 2,5% em 12 meses, para R$ 456,15 bilhões.
Para conter os riscos decorrentes do avanço do calote, o custo do crédito (despesa com provisão para perdas esperadas) somou R$ 18,48 bilhões no trimestre. Embora o montante represente uma redução de 2,1% na comparação trimestral imediata, o valor ainda é 16,1% superior ao registrado em igual período de 2025. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, o custo do crédito totalizou R$ 37,3 bilhões, uma alta de 43,3%.
A margem financeira bruta avançou 9,6% no comparativo anual, alcançando R$ 27,5 bilhões no trimestre, impulsionada pelo crescimento das operações com pessoas físicas (+15,3%) e do resultado de tesouraria (+16%). A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, ressaltou em nota aos investidores que a evolução do desempenho trimestral reflete a execução consistente da estratégia da instituição e a busca por um mix de crédito com melhor relação entre risco e retorno.
O Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio (ROAE) ficou em 8,3% no trimestre. A instituição manteve seus índices de capitalização em níveis confortáveis e adequados às exigências regulatórias, encerrando o período com Índice de Basileia em 13,91% e capital principal em 11,27%. Juntamente com a apresentação dos resultados, o conselho de administração do banco aprovou a distribuição de R$ 584,9 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) complementares aos acionistas.
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