Casas Bahia fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários em reestruturação no Brasil

​Em uma das maiores ofensivas de reestruturação operacional de sua história recente, o Grupo Casas Bahia encerrou as atividades de 298 lojas e realizou o desligamento massivo de cerca de 1,9 mil colaboradores em todo o país. Fontes do setor estimam que o número total de cortes no quadro de pessoal possa chegar a até 3 mil trabalhadores à medida que os ajustes do novo plano forem consolidados.

​A medida representa um fechamento drástico de quase 28,7% de sua rede física de lojas, que contava com 1.042 unidades no final de 2025. Diferente dos movimentos anteriores da varejista — que vinha reduzindo a operação gradualmente, com fecho disperso de 20 a 30 pontos de venda por ano —, a companhia optou por concentrar o enxugamento estrutural em uma única rodada concentrada.

​Pressão financeira e avanço no digital

​O corte severo ocorre em um momento de forte pressão sobre o caixa da companhia. No primeiro trimestre de 2026, o grupo registrou prejuízo líquido de quase R$ 1,1 bilhão, valor superior ao dobro das perdas computadas no mesmo período do ano anterior. Em 2025, o prejuízo acumulado chegou a R$ 3 bilhões.

​Apesar das perdas registradas na operação presencial — em que as vendas nas lojas físicas recuaram cerca de 1,8% —, as vendas digitais diretas da varejista registraram alta de 26% no primeiro trimestre. A assimetria nos resultados acelerou o plano do grupo de priorizar a migração do foco para o e-commerce e o marketplace, diminuindo custos operacionais fixos expressivos decorrentes do aluguel e da manutenção das megalojas.

​Adiamento de balanço e negociação com credores

​Para reorganizar os detalhes do novo plano de negócios e contabilizar os custos de rescisões e encerramentos, a Casas Bahia adiou a divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre de 2026. O balanço foi reprogramado para alinhamento com analistas e investidores em teleconferência.

​A reestruturação atual se soma ao processo de recuperação extrajudicial homologado pela empresa em 2024, que renegociou cerca de R$ 4 bilhões em obrigações financeiras. O grupo também vem buscando renegociar prazos com a indústria de fornecedores e estender ciclos de pagamentos no marketplace para tentar equilibrar o fluxo de caixa nos próximos trimestres.


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