SÃO PAULO — A tradicional varejista de móveis e eletrodomésticos Lojas Marabraz protocolou, em caráter de urgência, um pedido de recuperação judicial na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo. A dívida acumulada pelas empresas do grupo é estimada em cerca de R$ 140 milhões.
Com um histórico de expansão que chegou a contar com 135 unidades físicas espalhadas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior paulista, a companhia agora recorre à proteção judicial para tentar reestruturar seu passivo e evitar a falência.
Disputas familiares, juros altos e perda de garantias
Conforme detalhado na petição encaminhada à Justiça pelo escritório Campana Pacca, a crise que atingiu a Marabraz vai além do cenário macroeconômico adverso enfrentado pelo varejo nacional. Para além da combinação de taxas de juros elevadas (Selic em patamar alto), desaceleração do consumo, alta da inadimplência e a rápida digitalização do comércio, o grupo enfrenta duras controvérsias internas.
O documento revela que a família controladora historicamente mantinha o financiamento do capital de giro por meio de garantias reais, sobretudo patrimônio imobiliário. No entanto, por conta de disputas societárias e familiares internas, os executivos responsáveis pela operação comercial perderam o controle de empresas do grupo que detinham esses imóveis. Sem poder utilizar tais ativos como garantia, a Marabraz viu sumir o acesso às tradicionais linhas de crédito bancário e de refinanciamento.
Além disso, o pedido ajuizado de forma conjunta para cinco empresas da holding justifica-se pelo controle acionário comum e pela forte interdependência financeira e patrimonial. A petição aponta ainda um passivo considerável focado em obrigações trabalhistas, somando mais de mil reclamações de ex-funcionários na Justiça.
Retrato de um varejo pressionado
A trajetória do negócio remonta a 1965, fundado pelo imigrante libanês Abdul Hamid Mohamad Fares com a loja Credi-Fares. O nome “Lojas Marabraz” foi assumido pela família nos anos 1980 (originado de “Maravilhas do Braz”), consolidando-se no mercado paulista com forte presença na mídia, incluindo mais de duas décadas de parceria com a dupla sertaneja Zezé Di Camargo & Luciano.
A derrocada da Marabraz junta-se a um movimento mais amplo de aperto financeiro enfrentado por grandes redes de varejo de bens duráveis no país. O setor lida de forma generalizada com margens espremidas, alto custo de capital e concorrência com o e-commerce estrangeiro e local.
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