Agronegócio brasileiro e instituições financeiras enfrentam maior crise de endividamento do setor em duas décadas
O agronegócio brasileiro atravessa a sua pior crise de endividamento em 20 anos, atingindo marcas históricas de inadimplência no setor agrícola. Em junho, o índice de atraso nos pagamentos saltou de 0,54% para 5,63%, fazendo o montante da dívida somar cerca de R$ 48 bilhões — um crescimento expressivo de 2.300% na comparação com o cenário registrado cinco anos atrás.
Com o avanço dos calotes e a incapacidade de quitação dos débitos, as instituições financeiras passaram a executar as garantias vinculadas às linhas de crédito rural. Como consequência direta, os bancos estão assumindo a posse de propriedades rurais e ingressando na gestão de fazendas dadas em caução para amortizar as pendências financeiras dos produtores.
A deterioração da capacidade financeira no campo reflete uma combinação de fatores, como a queda dos preços das commodities agrícolas após o período da pandemia, os elevados custos de produção, juros altos e os fortes impactos de eventos climáticos adversos na rentabilidade das safras.
O alto nível de inadimplência afeta diretamente os maiores agentes de crédito do país, como o Banco do Brasil, levando o setor e o governo federal a debaterem medidas extraordinárias de renegociação e socorro financeiro para conter a onda de inadimplência e evitar maiores prejuízos à cadeia produtiva nacional.
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