×

Brasil, Força Aérea Brasileira e Agência Espacial Brasileira testam laboratório espacial suborbital que atinge 100 km de altitude e retorna à Terra de paraquedas

Brasil, Força Aérea Brasileira e Agência Espacial Brasileira testam laboratório espacial suborbital que atinge 100 km de altitude e retorna à Terra de paraquedas

O Brasil deu um passo estratégico no avanço de sua autonomia tecnológica e científica. Em operação conduzida no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) deram início aos testes da Plataforma Suborbital de Microgravidade Recuperável (PSM-R). A estrutura funciona como um verdadeiro “laboratório espacial” reutilizável, capaz de alcançar a fronteira do espaço e retornar intacto com os dados e experimentos de pesquisadores nacionais.

O papel do foguete VS-30 V16 e o voo suborbital

Para enviar o laboratório à altitude projetada de 100 quilômetros — limite formal do espaço —, a missão utiliza o foguete de sondagem VS-30 V16, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O veículo tem cerca de 9 metros de comprimento e pesa aproximadamente 1,6 tonelada.

Como se trata de um voo suborbital, o foguete realiza uma trajetória parabólica: ele sobe a altas velocidades, atinge o ponto máximo no espaço e inicia o retorno sem entrar em órbita terrestre. Na parte superior do voo, a plataforma proporciona entre 6 e 8 minutos de microgravidade (sensação de gravidade quase zero), janela crucial em que os experimentos científicos acoplados são ativados e testados.

Como funciona o resgate de paraquedas e dados no mar

A grande inovação desta etapa da missão reside na validação técnica do sistema de recuperação:

  1. Separação da Carga Útil: Após o término da propulsão do motor, a plataforma de 401 kg se desacopla do foguete e conclui seu ciclo no espaço.
  2. Paraquedas Guia: Na Reentrada, um primeiro paraquedas de desaceleração e estabilização é acionado para tensionar os cabos e evitar emaranhamentos.
  3. Paraquedas Principal: O velame completo se abre na fase final da queda, freando a cápsula de maneira suave para o impacto com a água.
  4. Localização e Resgate: A plataforma é projetada para flutuar no mar. Equipada com GPS e transmissores de rádio, ela emite coordenadas em tempo real para equipes de resgate a bordo de helicópteros da FAB.

O impacto da autonomia científica nacional

Historicamente, muitos experimentos científicos brasileiros dependiam exclusivamente do envio de dados via telemetria remota ou do aluguel de espaço em missões internacionais dispendiosas. Com a consolidação da PSM-R, que pode ser reutilizada em até quatro missões astronômicas e biológicas, universidades e institutos de pesquisa do país ganham acesso direto para resgatar fisicamente amostras biológicas, materiais tecnológicos e experimentos químicos pós-voo.


Descubra mais sobre

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Publicar comentário

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo

Verified by MonsterInsights