O tradicional carnê de compras das Casas Bahia, marco da história do varejo no Brasil e instrumento de inclusão financeira para gerações de consumidores de baixa renda, transformou-se em um dos grandes desafios estratégicos do Grupo Casas Bahia nos últimos anos. Concebido originalmente como uma ferramenta para aproximar as famílias populares do consumo de eletrodomésticos e móveis, o crediário próprio vive hoje uma nova fase, impactado pelas transformações no cenário econômico nacional, pela alta dos juros e pelo avanço de novas tecnologias de pagamento.
O papel histórico na inclusão e fidelização
Por décadas, o carnê operou como o principal motor de vendas da varejista. Para milhões de brasileiros sem acesso a cartões de crédito ou bancarização tradicional, o sistema abriu as portas para o consumo parcelado. A obrigatoriedade de ir mensalmente até uma loja física para quitar a prestação do carnê garantia um fluxo constante de clientes nos estabelecimentos, gerando novas oportunidades de venda e criando uma relação de extrema fidelidade entre o consumidor e a marca.
Mudanças no cenário macroeconômico e inadimplência
Com o passar dos anos, contudo, a dinâmica do crédito popular passou por fortes pressões. O avanço do endividamento das famílias brasileiras, somado a períodos de taxas de juros elevadas e inflação acumulada, encareceu o custo de financiamento do crediário.
- Custo do Crédito: A elevação da taxa básica de juros (Selic) encareceu a captação de recursos para o financiamento das vendas.
- Risco de Crédito: O aumento do desemprego e da perda do poder de compra elevou os índices de inadimplência no setor de varejo popular.
- Competição Digital: A expansão das fintechs, do Pix e a popularização do cartão de crédito reduziram a dependência do carnê físico em papel.
Reestruturação e o futuro do crediário
Para contornar o impacto do endividamento e mitigar os riscos financeiros, o Grupo Casas Bahia passou a implementar mudanças em sua gestão de crédito e plano de reestruturação. As medidas incluem uma concessão mais criteriosa de parcelamentos, digitalização do carnê por meio do aplicativo da marca e maior controle sobre a provisão contra devedores duvidosos.
O desafio atual da companhia e de seus executivos consiste em equilibrar a tradição e o apelo popular do crediário com modelos mais sustentáveis de concessão de crédito, garantindo a sustentabilidade financeira da operação sem perder o vínculo histórico com seu público consumidor.
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