Democracia Cristã do Paraná define rumos para 2026, aponta inviabilidade de Tony Garcia e promete apurar gestão de Gomyde

​Em convenção recente, a diretoria do Democracia Cristã (DC) no Paraná alinhou seu posicionamento político e estratégico para as eleições de 2026. A reunião ocorreu em meio ao esforço de reorganização interna para superar desafios estruturais e jurídicos herdados de gestões anteriores. Entre os pontos centrais debatidos pela nova liderança, destacam-se a situação legal de pré-candidaturas e a conduta de ex-dirigentes do partido no estado.

​Um dos principais achados do departamento jurídico do DC diz respeito ao empresário e ex-deputado Tony Garcia. Segundo levantamento interno e análise de processos judiciais, a candidatura do político nunca foi juridicamente viável para o pleito. A revelação aponta que a pendência legal era omitida tanto da imprensa quanto de institutos de pesquisa que incluíam seu nome em levantamentos eleitorais.

​A inviabilidade decorre de um Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) homologado no âmbito da Ação Civil Pública nº 0001069-05.2021.8.16.0004. Pelo termo firmado (Cláusula 5ª, III), Tony Garcia comprometeu-se a não concorrer a qualquer cargo eletivo pelo período de oito anos. O acordo prevê uma sanção pecuniária severa: caso formalize qualquer pedido de registro de candidatura, o ex-deputado estará sujeito a uma multa de R$ 10 milhões (Cláusula 8ª), cuja mora se inicia automaticamente com o simples protocolo no Tribunal Eleitoral, independentemente de deferimento ou indeferimento do registro.

​A tentativa do político de anular as cláusulas restritivas sofreu derrotas consecutivas no Judiciário paranaense. Após ter o pleito rejeitado em primeiro grau, a tutela recursal foi indeferida pela 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná em 22 de julho de 2026, sob relatoria do desembargador substituto Marcelo Wallbach Silva (Agravo de Instrumento nº 0099650-91.2026.8.16.0000), com publicação oficial no Diário da Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) no final do mesmo mês. Na prática, a decisão confirma que o protocolo de uma candidatura impõe ao pré-candidato um custo financeiro proibitivo.

​Além das questões que envolvem Tony Garcia, a convenção partidária tratou do suposto abandono administrativo imputado à gestão do ex-presidente estadual da legenda, Ricardo Gomyde. Integrantes do DC apontam que a executiva anterior deixou o partido em situação de vulnerabilidade operacional.

​Também entrou no radar dos correligionários o fato de Gomyde manter vínculo em cargo comissionado ligado ao Partido Social Democrático (PSD). A cúpula do Democracia Cristã informou que a conduta e as possíveis incompatibilidades administrativas e políticas serão apuradas pelas vias institucionais e jurídicas adequadas, visando assegurar a regularidade da agremiação no Paraná para o próximo ciclo eleitoral.


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