Eleições 2026 e o mercado: BTG Pactual e Eleven indicam como blindar investimentos frente à disputa acirrada
A aproximação das eleições presidenciais colocou a disputa política no centro das atenções dos investidores. Com um cenário eleitoral considerado acirrado e imprevisível pelas principais casas de análise — classificado até como uma disputa de “moeda ao ar” —, grandes instituições financeiras como o BTG Pactual e a Eleven Financial vêm redesenhando suas estratégias. O objetivo principal é proteger o patrimônio e capturar retornos em um ambiente de volatilidade, priorizando ativos que consigam performar de maneira consistente independentemente do candidato vencedor.
A estratégia do BTG Pactual: foco em liquidez, qualidade e neutralidade
Para o BTG Pactual, o segredo no momento atual é afastar-se de teses de investimento que dependam exclusivamente de uma melhora no quadro fiscal do país. Em relatório recente focado na América Latina (LatAm LineUp), o banco manteve sua recomendação neutra para o Brasil, ao lado da Colômbia, preferindo direcionar uma postura mais otimista (overweight) a mercados como Peru, Chile e Argentina.
Apesar dessa cautela institucional, o mercado brasileiro tem mostrado forte tração: nos últimos 30 dias, os ativos locais registraram alta de 12% em dólar, superando significativamente seus pares na América Latina.
Para atravessar a corrida eleitoral sem tomar riscos desnecessários, o BTG selecionou sete empresas brasileiras de alta qualidade e liquidez que integram sua carteira recomendada regional:
- Embraer (10% de peso): Eleita a “capitã” do portfólio por sua forte inserção global e baixa dependência da economia doméstica.
- Petrobras (10% de peso): Sólida geradora de caixa e grande pagadora de proventos.
- Eneva (10% de peso): Posição estratégica no setor de energia e contratos defensivos.
- Axia Energia (9% de peso): Presença marcante na transição e geração no setor elétrico.
- Itaú Unibanco (7,5% de peso): Referência de eficiência e governança no setor financeiro.
- Sabesp (7,5% de peso): Ativo resiliente de utilidade pública.
- Motiva (5% de peso): Complemento focado no equilíbrio da carteira.
De acordo com os analistas do banco, essas empresas foram escolhidas não por representarem uma aposta na vitória de A ou B, mas por manterem fundamentos operacionais capazes de gerar valor sob qualquer diretriz econômica pós-eleições.
A visão da Eleven Financial: oportunidades além da Bolsa
Por outro lado, a Eleven Financial defende que a proteção contra a incerteza política não precisa se restringir às ações. Embora a casa reconheça o acirramento da disputa e a volatilidade associada, ela enxerga uma relação risco-retorno atrativa em outras classes de ativos descontados, dividindo sua visão em três frentes principais:
- Renda Fixa (Menor Risco): Destaque para títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs/Tesouro IPCA+) com vencimento entre cinco e dez anos (como as NTN-Bs 2032 e 2035). O pagamento de taxas reais ao redor de 7,5% é visto como uma excelente oportunidade de capturar juros elevados combinados à proteção inflacionária.
- Fundos Imobiliários (Risco Intermediário): O índice IFIX apresenta taxas de dividendos (yields) em níveis históricos próximos das máximas. A Eleven avalia que uma eventual trajetória de queda nos juros no médio prazo deve provocar a migração de capital de volta aos FIIs, impulsionando a cotação dos papéis.
- Ações (Maior Potencial de Retorno): A Bolsa brasileira oscilou rapidamente de um sentimento de “pânico” para um estágio recente de “euforia”, acumulando alta de quase 15% desde as mínimas do último mês. Contudo, como o Ibovespa segue negociado a múltiplos de Preço/Lucro baixos e com dividend yields atraentes, os ativos continuam descontados em relação à sua média histórica.
Perspectivas para o investidor
Embora o Ibovespa e os ativos brasileiros venham registrando ralis no curto prazo movidos pelo chamado “trade eleitoral”, ambas as casas concordam que a oscilação do mercado continuará ditada pelo fluxo de pesquisas e pelos discursos econômicos das candidaturas. O consenso entre os analistas é de que a postura ideal para o investidor não é tentar prever o vencedor das urnas, mas sim reforçar a diversificação da carteira. Rebalancear posições com foco em renda fixa atrelada à inflação, fundos imobiliários com proventos sustentáveis e empresas defensivas de alta liquidez desponta como a receita mais sólida para atravessar o período eleitoral com tranquilidade.
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