Ernildo Junior, Pixbet e Nelson Wilians por suposto esquema de lavagem de dinheiro com CPFs de mortos

​A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram a Operação Arena, que investiga uma complexa rede de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e fraudes cambiais envolvendo a plataforma de apostas esportivas Pixbet, seu proprietário, Ernildo Junior, e o advogado Nelson Wilians. A apuração indica que o grupo movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão em remessas ilegais no exterior nos últimos cinco anos, recorrendo a empresas offshore em paraísos fiscais como Curaçao e ao uso irregular de dados cadastrais de terceiros.

​Uso de CPFs de falecidos e fraude cambial

​De acordo com relatórios da PF e da Receita Federal enviados à Justiça Federal, o esquema utilizava o cadastro de 549 pessoas já falecidas — algumas mortas há mais de vinte anos — para validar e simular contratos de câmbio não autorizados. Os CPFs dos mortos não figuravam como apostadores comuns da plataforma, mas sim como titulares ou justificativas nas documentações de suporte das remessas financeiras enviadas para fora do país.

​O alerta foi emitido pelos sistemas de monitoramento financeiro da Receita e pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações atípicas repassadas por intermediárias de pagamento para empresas parceiras no Caribe, como a PixStar, sediada em Curaçao.

​O caminho do dinheiro e o papel dos investigados

​Segundo os investigadores, os valores obtidos com as apostas esportivas no Brasil eram transferidos a empresas no exterior por meio de operadoras financeiras e compensadoras. Em seguida, o montante retornava ao Brasil com roupagem de pagamentos legítimos por supostos serviços prestados, amparados por emissão de notas fiscais fraudulentas, garantindo aparência de legalidade aos recursos e alimentando o patrimônio das empresas e de seus sócios.

​A investigação aponta que Nelson Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro e facilitador na ocultação do patrimônio decorrente das atividades. Documentos indicam repasses de dezenas de milhões de reais em notas fiscais emitidas entre a estrutura de Curaçao e o escritório do advogado.

​Medidas judiciais e posicionamento das defesas

​Por ordem da Justiça Federal da Paraíba (4ª Vara Federal), foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão nos estados da Paraíba, São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe e Paraná, além da quebra de sigilos bancário e telemático e do sequestro de bens e bloqueios de até R$ 1,1 bilhão. A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda também determinou a suspensão das atividades operacionais da Pixbet.

  • Defesa de Nelson Wilians: Por meio de nota assinada pelo advogado Santiago Schunck, a defesa afirmou que a relação do escritório com a Pixbet é estritamente profissional e de prestação de serviços jurídicos. Destacou que “a atuação do escritório limita-se ao exercício regular da advocacia, não se confundindo com as atividades empresariais desenvolvidas por seus clientes” e repudiou qualquer tentativa de criminalizar a advocacia.
  • Defesa da Pixbet / Ernildo Junior: Em nota, representantes da empresa afirmaram que foram pegos de surpresa pelas medidas cautelares, pontuando que ainda não haviam tido acesso integral ao teor da decisão judicial, mas que prestarão todos os esclarecimentos devidos às autoridades assim que o acesso aos autos for concedido.

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