O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A sanção diplomática ocorre em meio a um forte atrito entre os dois países, impulsionado pela decisão prévia do governo brasileiro de negar vistos de entrada aos diplomatas norte-americanos Riley Barnes e Samuel Samson, além do impasse sobre a concessão de aval diplomático ao novo embaixador indicado por Donald Trump.
A medida contra a representante brasileira não acarreta a sua expulsão imediata do território estadunidense, permitindo que a diplomata permaneça no país enquanto as conversações continuam, porém sem a documentação consular válida. Segundo declarações do governo norte-americano, o visto de Viotti poderá ser restabelecido caso o Brasil conceda o agrément (autorização diplomática) a Daniel Perez, indicado pela Casa Branca para assumir a Embaixada dos EUA em Brasília.
Origem do impasse e a negação de vistos a oficiais americanos
A tensão diplomática teve um importante desdobramento cerca de dez dias antes, quando o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) recusou a emissão de vistos para o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.
A recusa brasileira baseou-se em apurações e matérias da imprensa internacional indicando que a comitiva pretendia cumprir agendas com autoridades eleitorais e representantes da sociedade civil para colocar em dúvida a integridade das urnas e do sistema eleitoral brasileiro. Em contrapartida, Washington declarou que a comitiva tinha o propósito exclusivo de debater temas pertinentes à liberdade de expressão, integridade eleitoral e direitos humanos.
Concessão pendente e retaliação
Além da recusa aos vistos de Barnes e Samson, o Departamento de Estado citou a paralisação na análise do nome do republicano Daniel Perez, presidente da Câmara dos Deputados da Flórida indicado em junho para assumir a chefia da embaixada americana no Brasil. O governo dos EUA alega que autoridades brasileiras indicaram que o aval diplomático só seria deliberado após o período eleitoral.
O Itamaraty e o governo brasileiro repudiaram os argumentos apresentados pelo governo norte-americano, encarando a revogação do visto da diplomata como uma medida retaliatória em um cenário de crescentes desentendimentos diplomáticos entre as duas nações.
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