O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, fez um apelo direto aos governos da América Latina para que abandonem o Tribunal Penal Internacional (TPI). A declaração ocorreu na Cidade do Panamá durante a reunião da Coalizão das Américas contra os Cartéis, aliança regional impulsionada pelo governo de Donald Trump para intensificar o combate ao narcotráfico na região.
Hegseth criticou abertamente a atuação da corte de Haia, classificando a jurisdição do tribunal como uma ameaça à soberania das nações participantes.
Principais pontos do discurso
- Defesa da soberania nacional: O chefe do Pentágono afirmou que os governos devem responder exclusivamente às suas próprias constituições e cidadãos, e não a “burocritas internacionais não eleitos”.
- Ataque à jurisdição do TPI: O governo americano alegou que a corte tenta impor autoridade de forma indevida sobre operações e pessoal militar dos EUA e de países parceiros.
- Alinhamento estratégico: A pressão busca consolidar a adesão da América Latina às políticas de segurança e defesa de Washington.
Tensão entre Washington e Haia
Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma — tratado fundador do TPI — e mantêm um histórico de oposição à corte permanente. O tribunal atua sob o princípio da complementaridade, intervindo em casos de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade apenas quando os sistemas judiciais locais não realizam investigações de forma efetiva.
A postura de Washington em relação ao TPI endureceu no âmbito de operações militares e ações ostensivas promovidas pelos EUA na região caribenha e no Pacífico. Especialistas e organizações internacionais têm questionado a legalidade de bombardeios contra embarcações suspeitas de narcotráfico, enquanto autoridades americanas sustentam que todas as ações seguem o direito internacional humanitário.
Expansão do bloco regional de segurança
Durante o evento no Panamá, o Pentágono também anunciou a formalização da entrada da Colômbia no bloco antidrogas conhecido como “Escudo das Américas”. Com a adição do governo colombiano, sob a gestão do presidente Abelardo de la Espriella, a coalizão passa a contar com 19 países membros.
A inclusão prevê a autorização de operações militares conjuntas entre as forças americanas e colombianas para combater redes classificadas como narco-terroristas.
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