França, Itália e União Europeia reagem à crise migratória em Ceuta e pressionam governo da Espanha

PARIS / ROMA / MADRI — A escalada das tensões políticas na Europa atingiu um novo ápice após o recente fluxo migratório no enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, onde cerca de 60 mil pessoas vindas do Marrocos cruzaram a fronteira a nado e por terra. Em resposta imediata aos acontecimentos, países vizinhos e a União Europeia adotaram medidas rigorosas para conter eventuais desdobramentos em todo o continente.

​Na França, o ministro do Interior, Laurent Nuñez, determinou o reforço ostensivo da segurança na divisa com o território espanhol. Paris acionou a Força de Intervenção Rápida de Fronteira para realizar verificações aprofundadas nos pontos de travessia. “Em resposta à situação observada no enclave de Ceuta, dei instruções para reforçar imediatamente os controles na fronteira espanhola”, declarou o ministro francês.

​Na Itália, a gestão da primeira-ministra Giorgia Meloni adotou uma postura ainda mais incisiva, anunciando a suspensão temporária e unilateral das regras de livre circulação do Espaço Schengen para viajantes vindos da Espanha. O governo italiano alegou razões de segurança nacional para restaurar a exigência de controles de passaporte e intensificar a fiscalização ao longo da fronteira franco-italiana, buscando evitar que migrantes sem documentos avancem pelo continente.

​A reação da União Europeia também foi imediata. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as imagens vindas de Ceuta como “inaceitáveis” e destacou a necessidade de conter travessias perigosas e desmantelar redes ilegais de tráfico humano. A UE mobilizou comissários para acompanhar a crise e coordenar ações conjuntas de controle.

Resposta de Madri e desdobramentos

​Do lado espanhol, o primeiro-ministro Pedro Sánchez e o ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, rebateram as sanções e ameaças de isolamento vindas de Roma. O governo espanhol convocou o embaixador italiano em Madri para prestar esclarecimentos e afirmou que nenhum país-membro pode suspender unilateralmente a participação de outro no Acordo de Schengen sem violar os princípios de cooperação leal do bloco.

​Segundo dados das autoridades espanholas, a crise em Ceuta começou a ser contornada após negociações diplomáticas e operações na fronteira com o Marrocos, resultando no retorno de grande parte das pessoas que haviam conseguido ingressar no enclave. Contudo, o episódio voltou a acender o debate sobre a reforma do sistema de asilo europeu e fortaleceu o discurso de partidos de oposição e de correntes de extrema-direita em todo o bloco.


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