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Polícia Civil de SP prende Nicolas Archanjo Silva, o “Naro”, suspeito de liderar grupo virtual e estuprar adolescente

Polícia Civil de SP prende Nicolas Archanjo Silva, o “Naro”, suspeito de liderar grupo virtual e estuprar adolescente

Uma adolescente de 16 anos usou as redes sociais para denunciar ter sido vítima de estupro e de gravação não consentida por Nicolas Archanjo Silva, de 21 anos, conhecido na internet como “Naro” ou “Monstro da Zona Leste”. O suspeito, apontado pelas investigações da Polícia Civil de São Paulo como líder de uma rede virtual no Telegram envolvida em crimes contra mulheres, menores de idade e animais, foi preso temporariamente no bairro do Itaim Paulista, na zona leste da capital paulista.

Em um relato publicado na internet após as imagens do abuso começarem a circular em canais do aplicativo, a vítima explicou que só percebeu a gravação quando recobrou a consciência. “Eu nem tava consciente porque [ele] me desmaiou”, afirmou a jovem, rebatendo boatos que circulavam em grupos virtuais de que teria consentido com o registro. “Eu não pedi pra gravar porra nenhuma”, rebateu.

Além das agressões e das queimaduras com cigarros a que a jovem alega ter sido submetida sem consentimento durante o ato, a divulgação dos vídeos — prática apelidada pelo grupo de “explanação” — gerou graves impactos psicológicos e sociais na vida da vítima. Em seu desabafo, ela relatou que passou a sofrer ataques de ódio, perdeu relacionamentos pessoais e começou a receber ameaças diretas do acusado após expor o crime, incluindo mensagens com seu endereço e ameaças de morte.

A ordem de prisão temporária por 30 dias foi expedida pela Justiça paulista a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público. A decisão fundamentou a necessidade do pedido de prisão diante das reiterações de ameaças virtuais e da continuidade da exposição e divulgação de conteúdos íntimos e violentos.

Conforme apurado no inquérito policial, o grupo do qual Nicolas fazia parte promovia e divulgava agressões físicas, induzimento à automutilação, exploração sexual de menores e coação contra vítimas. Os investigadores continuam o trabalho de perícia nos aparelhos apreendidos para apurar a extensão da atuação da rede virtual, identificar outros integrantes e localizar possíveis vítimas que tenham sofrido ataques parecidos.

Até o momento do fechamento da reportagem, a defesa do investigado não havia sido localizada para se manifestar sobre as acusações. O espaço segue aberto.


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