Investigações recentes conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) apontam indícios de uma relação de proximidade entre oficiais de alta patente da Polícia Militar paulista e empresários suspeitos de atuar na lavagem de dinheiro e financiamento de atividades do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Entre os nomes citados nos relatórios da Operação Janus e em desdobramentos de ações recentes do MPSP está o coronel da reserva da PM Luiz Carlos Pereira Martins. De acordo com trechos de relatórios de inteligência da PF e denúncias encaminhadas à Justiça, o oficial “parece abrir portas” da corporação e se dispunha a intermediar contatos com outras autoridades em benefício de empresários e operadores financeiros ligados à facção criminosa.
Proximidade em grupos de mensagens e convites corporativos
As apurações detalham que o coronel mantinha conversas diretas em aplicativos de mensagens com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, empresários que foram alvos de mandados de prisão sob a acusação de atuarem como operadores financeiros do grupo criminoso e em tribunais do crime.
Em mensagens interceptadas com autorização judicial, o coronel Pereira Martins participava de grupos virtuais com os suspeitos e chegou a sugerir passeios para a colônia de férias dos Policiais Militares em Campos do Jordão, no interior do estado. Para o Ministério Público, as interações demonstram um grau significativo de amizade e acesso privilegiado concedido a investigados.
Além das propostas de viagens e encontros informais, o relatório policial indica que o militar oferecia pontes de contato dentro do aparato policial, atuando de maneira a facilitar a interlocução dos empresários com a corporação.
Desdobramentos da Operação e bloqueio de bens
A operação realizada contra o núcleo financeiro do PCC resultou na prisão de diversos investigados, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão. A Justiça paulista também ordenou o bloqueio de veículos, imóveis e ativos bancários dos envolvidos, com limite fixado em até R$ 10 milhões por investigado, visando desarticular o patrimônio gerado por atividades ilícitas.
A investigação apura a prática de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, ocultação de patrimônio em nomes de terceiros e a cooptação de agentes públicos para garantir proteção e facilidades às operações do grupo.
O outro lado
A defesa do empresário Cléber Azevedo dos Santos nega categoricamente as acusações. Em nota enviada à imprensa, seus advogados sustentam que o empresário jamais atuou como operador financeiro do PCC e rechaçam qualquer tipo de ingerência ou influência dos policiais citados na gestão ou solução de assuntos empresariais de Cléber.
O coronel da reserva Luiz Carlos Pereira Martins e a defesa de Robson Martins de Souza não responderam às tentativas de contato da reportagem. A Polícia Militar de São Paulo, por sua vez, tem ressaltado que colabora rigorosamente com as investigações da Corregedoria e do Ministério Público, e que qualquer desvio de conduta identificado será punido com o devido rigor legal.
Coronel da PM tinha grupo com presos em ação contra o PCC
Este vídeo do canal oficial da CNN Brasil traz os detalhes da cobertura ao vivo sobre a operação do Ministério Público e as trocas de mensagens entre o coronel da PM e os investigados ligados ao PCC.
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