Em recente declaração que movimentou os bastidores da política nacional, o pré-candidato à presidência pelo partido Missão, Renan Santos, criticou duramente parlamentares integrantes do chamado “centrão”, classificando-os como “parasitas e vagabundos”. No entanto, apesar do tom incisivo, o político reconheceu a pragmática da governabilidade e afirmou que será inevitável negociar com o grupo caso vença a disputa presidencial.
”É impossível [governar sem o centrão]. Eu não apenas falo que eu terei que governar com eles, eu terei que compor governo com eles”, declarou Renan durante entrevista veiculada na internet.
A contradição pragmática e o cenário político
A fala reflete um dos maiores dilemas enfrentados por candidaturas que se posicionam contra a política tradicional na América Latina: o choque entre o discurso anti-establishment e as exigências institucionais do presidencialismo de coalizão.
- Discurso forte: Críticas diretas ao fisiologismo e à negociação de cargos no Congresso.
- Realidade institucional: A necessidade de formar maioria parlamentar para aprovação de reformas, projetos de lei e matérias orçamentárias.
Historicamente, o centrão — bloco informal que reúne partidos de centro e centro-direita — detém uma fatia expressiva das cadeiras na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Qualquer chefe do Executivo que tente governar de forma isolada corre o risco de paralisia legislativa ou até mesmo de crises governamentais profundas.
A declaração de Renan Santos expõe a estratégia de tentar manter o eleitorado alinhado ao discurso crítico à “velha política”, ao mesmo tempo em que tenta transparecer realismo político sobre os desafios de uma eventual gestão no Palácio do Planalto.
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