Alexandre Curi e Gleisi Hoffmann lideram corrida ao Senado no Paraná em cenário marcado por indefinições

​A disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado Federal ganha novos contornos com a divulgação de uma nova rodada da Paraná Pesquisas. No cenário que exclui as pré-candidaturas de Alvaro Dias e Cristina Graeml, Alexandre Curi (PSD) e Gleisi Hoffmann (PT) despontam numericamente nas duas primeiras posições. No entanto, o quadro geral para as eleições segue completamente aberto e dependente de definições jurídicas e políticas envolvendo três nomes de peso.

​O peso das ausências e o empate técnico

​No principal cenário testado, que simula a ausência de Alvaro Dias e Cristina Graeml, Alexandre Curi aparece na liderança numérica com 30,2% das intenções de voto. Logo atrás surgem Gleisi Hoffmann, com 28,9%, Filipe Barros (PL), com 27,8%, e Deltan Dallagnol (Novo), com 27,7%.

​Como a margem de erro do levantamento é de 2,6 pontos percentuais, os quatro primeiros colocados encontram-se em situação de empate técnico. A configuração demonstra que, embora Curi e Gleisi ocupem o topo do recorte, não há um favoritismo isolado.

​Quando o ex-senador Alvaro Dias é incluído na pesquisa estimulada, ele lidera com folga, alcançando 39,7% das intenções de voto. Ele é seguido por Gleisi (25,9%), Deltan (25,2%), Curi (23,5%) e Barros (22,9%). Vale lembrar que, como o eleitor votará em dois nomes para o Senado, os entrevistados podiam indicar até duas opções, razão pela qual a soma dos percentuais ultrapassa os 100%.

​As três variáveis que travam o cenário

​O favoritismo de Curi e Gleisi é considerado condicional pelos analistas, pois depende diretamente do recuo ou impedimento de três concorrentes:

  1. O condicionamento de Alvaro Dias: Apesar de liderar com folga, Alvaro Dias afirmou recentemente que sua candidatura não é irreversível. Ele condiciona sua participação à construção de uma aliança ampla e estruturada na base estadual, sinalizando que pode abrir mão da disputa caso isso facilite as composições partidárias.
  2. A resistência a Cristina Graeml: Cristina enfrenta barreiras internas no grupo político do governador Ratinho Junior (PSD). A concorrência com aliados tradicionais e os reflexos das eleições municipais de Curitiba têm feito com que governistas defendam que ela dispute uma vaga na Câmara dos Deputados para fortalecer a bancada federal do partido. A perda de tração de seu nome — que caiu de 17,4% em junho para 13,2% em julho — reforça o argumento dos bastidores para sua retirada da disputa majoritária.
  3. A situação jurídica de Deltan Dallagnol: Alvo de contestações por parte de adversários devido à cassação de seu mandato de deputado federal pelo TSE em 2023, Deltan Dallagnol e o Partido Novo sustentam que ele está apto para o pleito de 2026. Até o momento, as instâncias da Justiça Eleitoral não emitiram uma decisão definitiva sobre sua elegibilidade específica para esta eleição. Caso ele venha a ser impedido, uma parcela expressiva de votos ficará flutuante, mas o destino desse eleitorado ainda é incerto.

​Rejeição e o cenário espontâneo

​A pesquisa também expõe um forte contraste no quesito rejeição entre os dois líderes do cenário restrito. Gleisi Hoffmann possui o maior índice de rejeição entre todos os nomes avaliados, com 42,1%. Por outro lado, Alexandre Curi registra apenas 7,3%, figurando em situação confortável ao lado de Filipe Barros (7,4%) e Cristina Graeml (8,1%). Deltan Dallagnol tem 11,9% de rejeição e Alvaro Dias, 12,7%.

​O alto índice de indecisos na modalidade espontânea — onde os nomes não são apresentados aos entrevistados — reforça que o eleitorado paranaense ainda não cristalizou suas escolhas: 79,6% afirmaram não saber em quem votar.

​A Paraná Pesquisas ouviu presencialmente 1.500 eleitores em 55 municípios do estado. O nível de confiança é de 95% e o levantamento está devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-01166/2026.


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