Corning, fornecedora do vidro do iPhone, fatura R$ 77 bilhões e quer dobrar receita no Brasil impulsionada por inteligência artificial

​Com 175 anos de história, a norte-americana Corning — reconhecida historicamente por invenções como a fibra óptica, o vidro da lâmpada de Thomas Edison, a linha Pyrex e o consagrado vidro Gorilla Glass, utilizado nos smartphones da Apple e de diversas fabricantes mundiais — vive um novo ciclo de expansão global e local. A companhia atingiu faturamento global da ordem de R$ 77 bilhões (cerca de US$ 15 bilhões) e projeta dobrar sua receita no Brasil e na América Latina nos próximos anos, impulsionada de forma decisiva pela explosão da infraestrutura de inteligência artificial (IA) e pela demanda massiva por data centers.

​O movimento estratégico da empresa reflete uma mudança profunda nas exigências de conectividade. A transição da computação em nuvem tradicional para o processamento de modelos de IA generativa exige infraestruturas de dados incomparavelmente mais densas. Em um centro de dados preparado para inteligência artificial, o volume de conexões de fibra óptica exigido pode ser até dez vezes maior do que em um ambiente de nuvem convencional, impulsionado pelo agrupamento de milhares de unidades de processamento gráfico (GPUs).

​No mercado brasileiro, que ocupa a 10ª posição no ranking global de data centers e lidera a expansão na América Latina, a demanda por infraestrutura óptica explodiu. O Brasil tem atraído novos investimentos impulsionados por marcos de fomento como o programa ReData, além da abundância de energia limpa e renovável. Diante desse cenário, a compra de cabos e soluções de alta densidade por operadores de data centers e hyperscalers já supera, em volume no país, a demanda vinda do setor tradicional de telecomunicações.

​Para suportar esse nível de tráfego, a Corning tem investido no fornecimento de soluções de conectividade avançada, como cabos pré-conectorizados de altíssima densidade — capazes de abrigar até 3.456 fibras —, fibras ópticas de diâmetro reduzido (como a linha Contour) e arquiteturas modulares que reduzem o tempo de instalação nos hubs de computação.

​Globalmente, a gigante norte-americana fechou contratos multibilionários com gigantes da tecnologia como Meta e Amazon, além de parcerias estratégicas em fotônica com a Nvidia, focadas no aumento de largura de banda e na redução da latência entre chips de IA.

​Além da frente de centros de dados, o plano de crescimento no Brasil combina o desenvolvimento de uma rede parceira para montagem e serviços locais com apostas de médio prazo nas divisões automotiva e de ciências da vida. A consolidação dessa tríade estratégica sustenta a meta da companhia de duplicar seus resultados na região, transformando a ciência de materiais desenvolvida há quase dois séculos na espinha dorsal da revolução digital contemporânea.


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