Escolas particulares de BH assinam carta aberta em apoio à greve dos professores e cobram ação do Sinepe-MG
Belo Horizonte, 19 de setembro de 2026 – Dezenove instituições de ensino privado de Belo Horizonte e da Região Metropolitana divulgaram, na noite desta sexta-feira (18), uma carta aberta em apoio à greve dos professores da rede particular. O documento, publicado nas redes sociais do Colégio Nossa Senhora das Dores, cobra do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinepe-MG) uma ação efetiva para destravar as negociações trabalhistas.
O impasse na Convenção Coletiva
A greve, organizada pelo Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro Minas), começou na quarta-feira (16) e foi aprovada por tempo indeterminado após a categoria rejeitar a proposta do Sinepe-MG de dividir a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) em dois documentos distintos: um para professores da educação básica e outro para o ensino superior. A convenção atual, que contempla ambos os segmentos, teve sua vigência encerrada em 31 de março de 2026 e, segundo a carta das escolas, “passados mais de cinco meses, ainda não foi assinada”.
O Sinepe-MG propôs reajuste salarial de 3,77%, correspondente à inflação medida pelo INPC, mas condicionou o acordo à separação da convenção. O Sinpro Minas rejeita a divisão, alegando que a medida pode enfraquecer a capacidade de negociação coletiva e abrir espaço para alterações futuras em direitos como bolsas de estudos, isonomia salarial, férias coletivas e adicional extraclasse.
O que diz a carta aberta
No manifesto, as instituições signatárias afirmam que “a mobilização dos educadores é legítima” e recolocam “no centro do debate a valorização da categoria e a busca por condições dignas de trabalho”. O texto cobra que as negociações avancem “com a urgência que a situação exige, preservando os direitos já conquistados pelos professores e evitando que a comunidade escolar continue penalizada por um impasse que não criou”.
As escolas signatárias destacam ainda que “defender os direitos dos professores e preservar a continuidade do processo educativo não são objetivos incompatíveis, devem caminhar juntos”. Entre as instituições que assinam o documento estão o Colégio Loyola, Colégio Santo Agostinho (quatro unidades), Colégio Marista Dom Silvério, Colégio Bernoulli (quatro unidades), Colégio Nossa Senhora das Dores (duas unidades), Colégio Magnum (duas unidades) e Colégio São Paulo.
Números da paralisação
Segundo o Sinpro Minas, 47 unidades de ensino privado da capital e da Região Metropolitana são afetadas pela paralisação. Já o Sinepe-MG minimiza o movimento, afirmando que apenas seis das 811 escolas particulares de BH relataram dificuldades, o que representa menos de 1% do total.
Apesar da divergência nos números, diversas instituições já confirmaram alterações no funcionamento, incluindo o Colégio Marista Padre Eustáquio, o Colégio São Paulo e o Colégio Batista Mineiro. Há relatos de adesão também no Santo Agostinho, Marista Dom Silvério, Buritis Agostiniano, Magnum Cidade Nova e Sagrado Coração de Jesus.
Denúncias de intimidação
Paralelamente ao impasse nas negociações, professores denunciam ações de intimidação e assédio por parte das direções de escolas para que deixassem o movimento grevista. Os relatos foram protocolados no Sinpro Minas, e o sindicato informou que acionará o Ministério Público do Trabalho (MPT).
O que vem a seguir
O Sinepe-MG ajuizou uma ação questionando a greve, alegando falta de aviso prévio. Enquanto isso, o Sinpro Minas mantém a paralisação por tempo indeterminado e afirma que a categoria apresentou uma pauta com mais de 10 pontos de valorização da carreira docente.
As escolas signatárias da carta aberta encerram o documento com um apelo: “Educação se constrói com diálogo, respeito e responsabilidade. O momento que vivemos exige serenidade e, sobretudo, ação efetiva de quem tem a responsabilidade de conduzir essa negociação”.
A próxima assembleia da categoria está prevista para a próxima semana, quando os professores definirão os rumos do movimento.
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