Flávio Bolsonaro viajou à África do Sul com Weverton Rocha e Willer Tomaz, investigados no escândalo bilionário do INSS
São Paulo, 19 de setembro de 2026 – Uma fotografia revelada nesta semana expôs a proximidade entre o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e dois personagens centrais de um dos maiores escândalos de desvio de dinheiro público do país: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz, ambos investigados pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS.
A imagem, feita em março de 2025 e divulgada inicialmente pelo jornal O Globo e detalhada pela revista piauí, mostra Flávio em clima de descontração na África do Sul ao lado de Weverton e Willer. Segundo a apuração, a foto foi compartilhada em um grupo de WhatsApp intitulado “África do Sul”, do qual também participavam as esposas dos três e um quarto integrante: o empresário Carlos Alberto de Sá, o “Carlinhos”, sócio da VTCLog e alvo de pedido de indiciamento pela CPI da Covid em 2021.
O grupo trocou dezenas de fotos de animais durante um safári de aproximadamente uma semana. A Polícia Federal teve acesso ao material após apreender o celular de Weverton Rocha no fim de 2025, no âmbito da Operação Sem Desconto.
O escândalo do INSS
A fraude do INSS veio a público em abril de 2025, semanas após a viagem do grupo à África do Sul. O esquema envolvia descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas, com assinaturas falsas e cobranças indevidas que vitimaram milhões de pessoas.
As investigações apontam um prejuízo de aproximadamente R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Em julho de 2026, a PF indiciou 48 pessoas, incluindo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o ex-presidente do órgão, Alessandro Stefanutto.
As conexões de Flávio com os investigados
Weverton Rocha, senador e vice-líder do Governo no Congresso, é apontado pela PF como o responsável por “formular demandas, indicar beneficiários, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, tratar de imóveis, orientar providências e interferir em decisões patrimoniais” no esquema. A esposa do senador, Samya Rocha, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz.
Willer Tomaz, advogado e amigo de longa data de Flávio, é descrito pela PF como “integrante central” da estrutura investigada, associada a empresas, imóveis, aeronaves e operadores financeiros. Ele nega qualquer vínculo com as fraudes previdenciárias e afirma que as viagens com Flávio têm “caráter estritamente privado”.
A proximidade entre Flávio e Willer não se limita ao safári. Documentos apreendidos pela PF revelaram pelo menos cinco viagens internacionais feitas pelos dois no primeiro semestre de 2025, com destinos como Portugal, França e Estados Unidos.
Além disso, Flávio utilizou durante a campanha presidencial em São Paulo um apartamento de 158 m² no edifício l’Adresse, na Vila Nova Conceição, cedido por Willer Tomaz. O imóvel havia sido comprado por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, por R$ 5,5 milhões em abril de 2025, e depois repassado a uma empresa de Willer. A cessão não foi declarada como doação eleitoral ao TSE, o que motivou questionamentos de adversários.
A reação de Flávio Bolsonaro
Procurado pela imprensa, Flávio Bolsonaro não se manifestou diretamente sobre as revelações do safári até a noite desta sexta-feira. Em declarações recentes, porém, o senador tem adotado uma estratégia de contra-ataque: cobrou a divulgação de documentos da investigação do INSS e questionou se parte do dinheiro desviado teria ido parar na conta de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
“Quero saber quanto do dinheiro roubado dos aposentados foi parar na conta do filho do Lula”, declarou Flávio em agenda eleitoral no Rio de Janeiro no dia 12 de setembro. O senador nega qualquer irregularidade em sua relação com Willer Tomaz e Weverton Rocha.
O que está em jogo
A CPMI do INSS, instalada no Congresso em 2025, investiga o mecanismo bilionário de fraudes e já ouviu dezenas de depoentes. O relator da comissão acusou um advogado de intermediar propina em fraudes previdenciárias, e o colegiado chegou a pedir prisões de envolvidos.
No âmbito judicial, o ministro André Mendonça, do STF, autorizou as buscas contra 11 alvos ligados a Weverton Rocha e afirmou que “o conjunto probatório apresentado supera o plano das conjecturas”.
A três semanas das eleições, o caso expõe Flávio Bolsonaro a questionamentos sobre sua proximidade com figuras centrais de um esquema que desviou bilhões de aposentados. A campanha do candidato do PL não comentou oficialmente as revelações do safári.
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