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Amparo do Serra, Biquinhas, Pratápolis e Rio Doce lideram baixa adesão à vacina contra o sarampo em Minas Gerais

Amparo do Serra, Biquinhas, Pratápolis e Rio Doce lideram baixa adesão à vacina contra o sarampo em Minas Gerais

​Quatro municípios mineiros figuram na lista das 20 cidades brasileiras com os piores índices de vacinação contra o sarampo na primeira infância. Um levantamento realizado pela organização sem fins lucrativos ImpulsoGov, com dados oficiais do Ministério da Saúde referentes ao primeiro semestre de 2026, revelou que Amparo do Serra, Biquinhas, Pratápolis e Rio Doce não alcançaram sequer 30% de aplicação da primeira dose da vacina tríplice viral — imunizante que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola.

​A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde para garantir a imunidade coletiva e manter a doença sob controle no país é de 95% de cobertura populacional do público-alvo.

​Raio-x dos números no primeiro semestre de 2026

​Os números revelam um cenário de forte vulnerabilidade epidemiológica em pequenos municípios do estado:

  • Amparo do Serra: Registrou a menor taxa do estado, aplicando apenas 5 doses das 27 previstas (19% de cobertura) na D1. Na segunda dose (D2), manteve taxa crítica de 15% (4 doses aplicadas de 27).
  • Pratápolis: Alcançou 24% na primeira dose, vacinando 8 das 33 crianças da meta. Na D2, repetiu o índice crítico de 15% (5 aplicadas de 33).
  • Rio Doce: Aplicou a primeira dose em 4 das 16 crianças elegíveis (25% de taxa). A D2 registrou 38% de cobertura no mesmo período.
  • Biquinhas: Registrou 29% de adesão na primeira dose, imunizando 4 das 14 crianças que compõem o público-alvo.

​Procurada para comentar os dados, a Secretaria Municipal de Saúde de Rio Doce, por meio do secretário Rodrigo Delazari de Souza, contestou os números divulgados pela ImpulsoGov e pelo Ministério da Saúde. O gestor explicou que uma conferência nominal do público-alvo revelou que a taxa real do município diverge dos 25% apurados pelo levantamento do governo central. Os governos de Amparo do Serra, Pratápolis e Biquinhas não apresentaram posicionamento até a publicação do balanço.

​Panorama estadual reforça alerta epidemiológico

​A baixa cobertura não se restringe a casos isolados. No balanço que analisa exclusivamente o território mineiro, nenhuma das 20 cidades com menor desempenho conseguiu ultrapassar a barreira dos 60% de cobertura vacinal na D1 no primeiro semestre do ano. Municípios como Divino das Laranjeiras e Ibituruna lideraram este grupo negativo com apenas 52% de adesão, seguidos por Rochedo de Minas (33%), Santa Bárbara do Monte Verde (35%), Córrego Danta (36%) e Casa Grande (36%).

​Segundo Juliana Ramalho, gerente de Saúde Pública da ImpulsoGov, o diagnóstico precisa ser encarado pelas prefeituras como uma ferramenta essencial de busca ativa. A especialista destaca que mapear nominalmente as crianças em atraso e cruzar os dados dos sistemas municipais com os sistemas federais é o caminho mais eficaz para direcionar as equipes de vacinação, recuperar as metas de imunização e evitar o reaparecimento e o surto de doenças evitáveis em Minas Gerais.


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