A solidariedade e a imprevisibilidade do clima cruzaram a trajetória do paranaense Leandro Ferreira Lúcio de maneira trágica. Em novembro de 2025, quando o município de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, teve cerca de 90% de sua estrutura destruída por um devastador tornado, Leandro não hesitou: percorreu centenas de quilômetros para atuar como voluntário na reconstrução e no amparo às famílias desabrigadas. Cerca de nove meses depois, contudo, a ironia do destino fez com que ele próprio passasse pela mesma dor ao ver suas duas casas destruídas por um novo fenômeno climático em sua cidade natal, Piraí do Sul.
Na época do desastre em Rio Bonito do Iguaçu, a força dos ventos ultrapassou 250 km/h, deixando um rastro de destruição, feridos e mortos, além de mobilizar uma grande rede humanitária no Estado. Leandro esteve entre os centenas de voluntários que se deslocaram para a região a fim de erguer telhados, distribuir suprimentos e oferecer suporte emocional aos moradores que haviam perdido tudo.
Entretanto, a passagem recente de um evento severo de mesma natureza em Piraí do Sul — município localizado a cerca de 350 quilômetros de Rio Bonito do Iguaçu — colocou o voluntário no papel de atingido. O fenômeno provocou estragos severos na localidade e destruiu totalmente duas residências de Leandro, deixando-o sem abrigo e diante do desafio de reconstruir a própria vida.
Especialistas e órgãos de meteorologia chamam a atenção para a frequência cada vez maior de vendavais e tornados na Região Sul do Brasil, impulsionados por severas instabilidades atmosféricas. A história de Leandro mobiliza agora amigos, vizinhos e redes de apoio locais, que se organizam para retribuir a ajuda que o paranaense um dia dedicou a desconhecidos a centenas de quilômetros de casa.
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