Receita Federal flagra motorista transportando ampolas de tirzepatida escondidas na sola da bota em Foz do Iguaçu

Durante uma fiscalização de rotina realizada pela Receita Federal na Ponte da Amizade, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, os agentes flagraram um motorista tentando entrar no país com oito ampolas do medicamento tirzepatida ocultas na sola de suas botas.

​A abordagem teve início após o condutor apresentar contradições ao prestar informações sobre a motivação da viagem e a carga que levava. Inicialmente, o suspeito declarou aos fiscais que havia prestado serviço de transporte de passageiros com destino a Curitiba e que receberia R$ 700 pelo trabalho. Em seguida, ao tentar detalhar os itens no veículo, entrou em descompasso com as declarações anteriores.

​Diante das suspeitas, os agentes vistoriaram o automóvel, onde localizaram algumas mercadorias e caixas de vinho. O motorista foi submetido ao escâner corporal de raio-X, cujas imagens indicaram uma alteração atípica no solado do calçado. Na inspeção minuciosa, os servidores constataram a presença do medicamento alojado sob as palmilhas. Uma quantidade menor de ampolas também foi encontrada em posse de uma das passageiras.

​Como a quantidade transportada pelo homem foi considerada pequena pelos fiscais, ele não recebeu voz de prisão no local. Contudo, a Receita Federal informou que o caso será encaminhado para representação fiscal para fins penais, permitindo o desdobramento de eventuais apurações criminais por parte das autoridades competentes.

​Boom do mercado clandestino e riscos à saúde

​A apreensão reforça um cenário de alta expressiva no contrabando de canetas emagrecedoras e substâncias à base de tirzepatida vindas do Paraguai. O princípio ativo, utilizado em tratamentos contra diabetes tipo 2 e obesidade (como no medicamento Mounjaro), tem sido alvo constante de esquemas de ocultação para burlar barreiras alfandegárias — com registros recentes de cargas escondidas em pneus, potes de doce de leite e bagagens.

​A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e especialistas em saúde alertam que a compra e o transporte ilegal desses fármacos representam grave risco à população. Além da circulação de marcas estrangeiras não autorizadas pelo órgão sanitário, o acondicionamento inadequado e a falta de refrigeração exigida pelo fabricante (que demanda manutenção contínua entre 2°C e 8°C) comprometem a eficácia da substância e aumentam os perigos de reações adversas severas.


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