Dono do Grupo Toky apresenta plano de reestruturação com venda da Mobly e conversão de dívidas em ações para sanar passivo de R$ 1,1 bilhão

SÃO PAULO — O Grupo Toky (TOKY3), controlador de grandes marcas do setor de móveis e decoração como Tok&Stok e Mobly, protocolou junto à Justiça o seu plano oficial de recuperação judicial. A proposta abrange uma reestruturação profunda do passivo estimado em R$ 1,12 bilhão e inclui desde a eventual alienação das operações da Mobly até a conversão expressiva de débitos em participações acionárias.

​O plano foi submetido dentro do prazo legal de 60 dias, após a concessão da recuperação judicial pela Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. Com o protocolo, abre-se agora o edital de intimação para que os credores analisem os termos e apresentem possíveis objeções.

​Venda da Mobly em Unidade Produtiva Isolada (UPI)

​Um dos eixos centrais do plano de reestruturação é a criação de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI) para abrigar a marca e as operações da Mobly. A estrutura prevê isolar ativos digitais, contratos de fornecimento, plataformas e operações logísticas para permitir a venda do negócio sem que o comprador herde o passivo da recuperação.

​A medida visa captar recursos diretos para a sustentação operacional e para a amortização do endividamento, concentrando o foco do grupo na reabilitação e gestão da rede física da Tok&Stok.

​Equacionamento do passivo: conversão em ações e opções a credores

​Para renegociar o volume devido a credores quirografários — categoria que concentra fornecedores e instituições financeiras —, a proposta do Grupo Toky desenha opções de quitação diferenciadas:

  • Opção A: Focada em credores com valores menores, prevê o pagamento integral de até R$ 20 mil por credor, quitados em até três parcelas mensais. Caso o valor devido ultrapasse o teto de R$ 20 mil, o saldo remanescente será objeto de perdão de dívida (remissão).
  • Opção B: Destinada a grandes credores, oferece a conversão de 100% dos créditos em ações de emissão da holding (Grupo Toky), viabilizando a troca da dívida por participação societária e aliviando a caixa da companhia.

​O plano inclui também prerrogativas para a consolidação substancial de ativos e passivos das seis empresas do grupo e a celebração de acordos na Justiça do Trabalho para organizar o passivo trabalhista.

​Próximos passos no processo

​Após a publicação oficial do plano, será aberto o prazo de 30 dias para a manifestação de objeções pelos credores. Caso haja contestação de qualquer classe — o que é praxe em processos deste porte —, o plano será levado à deliberação em Assembleia Geral de Credores (AGC).

​Se aprovado pelos credores em assembleia e chancelado pelo juízo, o plano entra em fase de homologação. Caso seja rejeitado, a legislação prevê desdobramentos mais severos, podendo culminar na conversão da recuperação em falência, ressalvadas as hipóteses legais de cram down (aprovação judicial do plano sem unanimidade de todas as classes).

​Contexto de mercado

​A união entre Mobly e Tok&Stok foi formalizada em 2024 sob o nome de Grupo Toky. No entanto, a alta mantida na taxa de juros básica e o crédito bancário restrito continuaram a pressionar o capital de giro e as vendas de itens de ticket médio e alto no varejo de móveis.

​Com mais de 60 lojas em funcionamento e mais de 2,2 mil colaboradores, a companhia busca agora o aval de bancos como Banco do Brasil, Santander e Bradesco para dar sequência à operação e tentar reverter a trajetória financeira.


Descubra mais sobre O expresso Br

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *