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Erro médico no Reino Unido: paciente Becky Jones passa 11 anos em quimioterapia por tumor cerebral que nunca teve

Erro médico no Reino Unido: paciente Becky Jones passa 11 anos em quimioterapia por tumor cerebral que nunca teve

LONDRES — A britânica Becky Jones travou, ao longo de mais de uma década, o que acreditava ser uma batalha pela própria vida. Diagnosticada aos 21 anos com um suposto tumor cerebral agressivo, ela foi informada de que teria apenas alguns meses de vida e que o uso do quimioterápico temozolomida (TMZ) seria indispensável para sua sobrevivência. Recentemente, porém, uma análise médica revelou a dimensão do equívoco: Becky nunca teve câncer no cérebro.

Durante 11 anos, a paciente conviveu com os fortes efeitos colaterais do tratamento, que incluíam náuseas constantes, dores abdominais, úlceras na boca e fadiga extrema. Além do desgaste físico, o diagnóstico incorreto impactou drasticamente sua vida pessoal e profissional. Pensando ser terminal, o casal foi avisado de que ela não poderia engravidar (embora mais tarde tenha tido dois filhos), teve a carteira de motorista suspensa e precisou se isolar socialmente devido ao risco recorrente de infecções gravemente associadas ao tratamento quimioterápico contínuo.

O drama só teve fim após a aposentadoria do médico responsável pelo caso, identificado na investigação como Dr. Ian Brown. Após o cancelamento repentino das sessões em 2024 sem maiores explicações por parte da equipe do hospital University Hospitals Coventry and Warwickshire (UHCW), advogados da paciente solicitaram uma revisão independente com neurocirurgiões e radiologistas. Os laudos concluíram que o quadro de Becky correspondia, na verdade, a uma desmielinização tumefativa — uma condição inflamatória sem relação com o câncer e que poderia ter sido tratada por neurologistas com o uso pontual de corticoides.

A revelação levou Becky Jones e mais de 40 outros pacientes atendidos pelo mesmo especialista a moverem ações judiciais contra o hospital. Uma investigação preliminar conduzida pelo Royal College of Physicians (RCP) avaliou dezenas de prontuários do médico e apontou graves falhas operacionais, classificando 15 dos 20 casos analisados como “insatisfatórios de modo geral”. O relatório destacou a falta de rigor clínico, além da pouca colaboração entre a equipe e a ausência de monitoramento do uso prolongado e nocivo do medicamento.

Em nota, o hospital UHCW informou que realiza uma auditoria interna e que analisará a versão final do relatório do RCP para tomar as medidas cabíveis, reforçando que a segurança e o bem-estar dos pacientes continuam sendo prioridades da instituição. Enquanto aguarda pelos desdobramentos na justiça, Becky e sua defesa cobram respostas para entender como um profissional pôde atuar de maneira isolada por tanto tempo sem que os seus diagnósticos fossem questionados pela estrutura hospitalar.


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