Ex-aluno grava confissão de líder religioso e quebra silêncio sobre abusos sexuais em internato na Indonésia envolvendo Ahmad Imanuddin Sumar
Uma ligação telefônica revelou o esquema de silenciamento e pressão por trás dos casos de abuso sexual em instituições de ensino religiosas na Indonésia. Ao retornar um chamado urgente para o número de sua irmã, Yusron Azzahidi não encontrou a familiar do outro lado da linha, mas sim o seu ex-diretor de escola, Ahmad Imanuddin Sumar — influente líder de um internato islâmico na ilha de Lombok, conhecido por seus alunos pela alcunha carinhosa de “Abah” (“pai”). O líder religioso havia ido até a residência da família para tentar travar a denúncia que vinha sendo articulada.
Sabendo que Yusron e um grupo de ex-estudantes estavam reunindo depoimentos e provas contra as suas condutas abusivas, o diretor recorreu ao apelo emocional e religioso na tentativa de impedir o avanço das acusações. Aos prantos, o acusado pediu ao jovem que escondesse a situação em respeito à sua figura de mestre. O que o clérigo não esperava era que a chamada inteira estava sendo gravada pelo ex-aluno, gerando uma prova direta e crucial contra a sua tentativa de coação.
O caso expõe a grave crise enfrentada pela Indonésia nos internatos islâmicos. O avanço da pedofilia e da violência sexual nesses ambientes já é tratado pela Comissão Nacional sobre Violência contra as Mulheres do país como uma emergência de saúde e segurança pública. Historicamente, a forte influência hierárquica e espiritual exercida pelos líderes sobre as famílias e a comunidade faz com que a maioria das vítimas ceda a pressões interpessoais ou morais, retirando queixas e mantendo os crimes na impunidade.
No entanto, a articulação promovida por Yusron e outros sobreviventes — como a ex-aluna Ziadatur Rahmah — quebrou a barreira do silêncio que costuma proteger esses agressores. O material áudio-gravado serviu de base legal sólida para levar as denúncias às autoridades policiais. O caso ganhou desdobramentos de amplo impacto e mobilização social no país, tornando-se um marco na luta por justiça e no combate aos abusos sistemáticos cometidos sob o pretexto da autoridade religiosa.
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