Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Magalu revelam alta de até 44% na violência contra mulheres em dias de jogo de futebol

Um estudo atualizado desenvolvido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em parceria com o Magalu e promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil, acende um grave alerta sobre o impacto dos dias de partidas de futebol na integridade física e psicológica das mulheres no Brasil. As estatísticas mostram um aumento expressivo nos registros policiais em dias de jogo nas grandes capitais: as agressões físicas (lesões corporais dolosas) registram alta de 28,8%, enquanto as ameaças sobem 27,4%.

​A situação é ainda mais crítica entre as mulheres jovens, na faixa dos 15 aos 29 anos, segmento em que as notificações de violência saltam cerca de 44% quando há confrontos esportivos.

​Metodologia e recorte dos dados

​O levantamento analisou boletins de ocorrência registrados entre 2023 e 2025 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Porto Alegre, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação. O cruzamento de dados comparou a rotina dos municípios em dias comuns com as datas em que os clubes de maior torcida disputavam partidas de torneios de grande porte, como o Campeonato Brasileiro, a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana.

​O levantamento revela também um agravamento do quadro na comparação com edições anteriores do estudo. Entre 2015 e 2018, as ameaças aumentavam 23,7% e as lesões corporais, 20,8%, evidenciando um crescimento contínuo do fenômeno ao longo dos últimos anos.

​O futebol como catalisador e os fatores de risco

​Especialistas e pesquisadores ressaltam que o futebol em si não é a causa da violência — que tem raízes estruturais na desigualdade de gênero —, mas atua como um potente catalisador social. A combinação entre rivalidade exacerbada, masculinidade tóxica e frustração com resultados de partidas eleva os níveis de tensão dentro do ambiente doméstico.

​De acordo com as estatísticas do estudo, os agressores não costumam ser desconhecidos ou membros de torcidas organizadas adversárias: cerca de 80% das ameaças e lesões corporais são praticadas por parceiros ou ex-parceiros íntimos da vítima.

​Entre os principais fatores de risco associados aos picos de agressão, o relatório destaca:

  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas: Amplamente difundido antes, durante e após os jogos, o uso de álcool reduz as inibições e potencializa comportamentos agressivos.
  • Apostas esportivas (bets): O crescimento do mercado de apostas trouxe uma nova variável econômica, em que a perda financeira decorrente do placar frustrado amplifica a raiva do agressor.
  • Tensão em dias decisivos: Jogos eliminatórios ou clássicos locais registram uma maior incidência de conflitos em relação às partidas de rotina.

​Propostas de enfrentamento e prevenção

​Frente aos diagnósticos apresentados pelo FBSP e pelas entidades parceiras, especialistas sugerem medidas urgentes a serem adotadas pelo poder público e pelas entidades esportivas. Entre as propostas destacam-se a criação de postos de acolhimento e denúncia dentro das arenas e estádios de futebol, campanhas contínuas de conscientização voltadas ao público masculino durante as transmissões, políticas de controle de venda de bebidas alcoólicas e a responsabilização severa e exemplar de atletas e dirigentis envolvidos em episódios de violência doméstica.


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