Ações da Natura registram alta no Ibovespa impulsionadas pela operação hispânica e eficiência de margens

Mesmo diante de um trimestre desafiador e marcado pela queda nas vendas no mercado doméstico, as ações da Natura (NATU3) despontaram entre os principais destaques positivos do Ibovespa. A reação favorável dos investidores aos resultados do segundo trimestre do ano refletiu números que, embora contidos na receita consolidada, vieram acima das estimativas mais pessimistas do mercado e acompanhados de sinais de resiliência operacional.

​A receita líquida consolidada da gigante de cosméticos fechou o trimestre em R$ 5,2 bilhões — recuo de cerca de 9% a 10% na comparação anual —, impactada principalmente pelo desempenho fraco das operações no Brasil. As vendas brasileiras recuaram 14,8%, afetadas por ruídos operacionais e logísticos pontuais, além da falta temporária de produtos decorrente da integração de sistemas operacionais e da reorganização de modelos comerciais das marcas Natura e Avon.

​Por outro lado, os mercados da América Latina Hispânica atuaram como o grande motor de sustentação do balanço. Puxada por países como o México e pela recuperação gradual na Argentina, a operação hispânica avançou 7% em moeda constante. Excluindo a Argentina, a expansão da margem Ebitda da região ultrapassou 440 pontos-base, fato apontado por analistas do Itaú BBA como o grande destaque positivo do período.

​Além do fôlego vindo dos países vizinhos, o controle rigoroso de despesas operacionais (G&A) e ganhos na margem bruta garantiram um Ebitda contábil consolidado de R$ 620 milhões (margem de 12%), superando as projeções de casas de análise como o BTG Pactual e o Bradesco BBI. A leitura dos analistas de mercado indica que, embora a recuperação da receita no Brasil tenda a ser gradual no segundo semestre, a capacidade da companhia de proteger suas margens e gerar caixa traz alívio e renova a confiança dos investidores na tese de reestruturação da marca.


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