Lula acusa Flávio Bolsonaro de ligação com milicianos; senador rebate e chama presidente de “gagá”
São Paulo, 18 de setembro de 2026 – A corrida presidencial ganhou um novo e explosivo capítulo nesta sexta-feira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou diretamente o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) de ter ligações com milicianos no Rio de Janeiro. Em resposta, Flávio negou as acusações, chamou Lula de “gagá” e reafirmou sua promessa de campanha de classificar facções criminosas como organizações terroristas.
O ataque de Lula
Durante entrevista à Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, Lula afirmou que “tem candidato a presidente que é ligado aos milicianos no Rio de Janeiro”, em referência indireta, mas clara, a Flávio Bolsonaro. O presidente também disse que integrantes da família Bolsonaro estariam “metidos com os milicianos”.
Lula foi além e citou nominalmente o caso do Banco Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso em 2025. “Está enterrado até o pescoço com essa relação promíscua com o Vorcaro”, declarou o presidente, referindo-se a Flávio. Lula ainda afirmou que “eles criaram um banqueiro e eu o tornei prisioneiro”, atribuindo ao governo de Jair Bolsonaro a ascensão de Vorcaro no setor financeiro.
O presidente também apresentou três eixos para o combate ao crime organizado: sufocar a logística das facções, retomar territórios dominados e fortalecer a atuação dos municípios.
A reação de Flávio Bolsonaro
A resposta do senador foi imediata. Ao Metrópoles, Flávio afirmou que Lula estava “gagá” e negou qualquer relação com criminosos ligados a milícias. “Vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas. Lula está gagá”, declarou o candidato do PL.
Flávio também voltou a defender sua principal proposta de campanha para a segurança pública: a classificação de facções criminosas como organizações terroristas. No documento registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador afirma que “PCC, CV, milícias e todas as outras facções serão declaradas como organizações narcoterroristas”.
As conexões sob investigação
As acusações de Lula não surgem no vácuo. Investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) já documentaram relações políticas e funcionais de Flávio Bolsonaro com pessoas posteriormente identificadas como integrantes de grupos milicianos.
Uma das principais conexões citadas é Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope e apontado como um dos líderes do “Escritório do Crime”, grupo miliciano do Rio. Nóbrega tinha relações com o gabinete de Flávio, e seu nome aparece em investigações sobre a chamada “rachadinha”.
Outro elo mencionado é Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, acusado de ter repassado mais de R$ 200 mil a Nóbrega. As investigações sobre essas movimentações financeiras ainda tramitam na Justiça.
O caso Banco Master
O escândalo envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro adiciona uma camada de complexidade ao cenário. A Polícia Federal identificou Flávio Bolsonaro como “interlocutor direto” de Vorcaro em negociações para o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Documentos da investigação apontam que Flávio teria negociado valores que chegam a US$ 24 milhões para a produção da obra. A PF apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O senador nega irregularidades.
Em setembro de 2026, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de inquérito para apurar a participação de Flávio no caso.
A proposta de classificação de facções como terroristas
Flávio Bolsonaro tem feito da classificação de facções como organizações terroristas uma de suas principais bandeiras de campanha. Em agosto, ele afirmou que colocou sua “vida em risco” ao defender a medida, alegando ter recebido mais de 1.800 ameaças de morte.
Em discurso no Recife, em setembro, o senador prometeu: “A partir de janeiro do ano que vem, eu vou declarar guerra ao PCC, ao Comando Vermelho e às milícias. Vão ser classificados como terroristas. Vão ficar presos o resto da vida”.
A proposta, no entanto, enfrenta resistência. Em 2025, o Senado rejeitou uma emenda que classificaria facções como terroristas, e o próprio Flávio não estava presente no plenário na data da votação.
Contexto eleitoral
A troca de acusações ocorre a menos de um mês das eleições de outubro de 2026. Lula busca a reeleição e Flávio Bolsonaro emerge como seu principal adversário. O Rio de Janeiro, principal reduto eleitoral do senador, concentra boa parte da disputa, e a segurança pública se consolidou como tema central.
O caso também expõe uma contradição na retórica bolsonarista: Flávio pediu apoio internacional para classificar facções como terroristas, enquanto seu próprio partido rejeitou medida semelhante no Congresso. Em maio de 2026, o senador admitiu ter pedido a Donald Trump que os Estados Unidos classificassem o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
O que vem a seguir
A tendência é que o caso ganhe ainda mais destaque na reta final da campanha. Lula sinalizou que pretende explorar o escândalo do Banco Master como tema central, afirmando que o caso “será um tema da reta final da campanha”. O presidente também cobrou a divulgação completa dos dados obtidos a partir do celular de Vorcaro, criticando o ministro André Mendonça por reter informações.
Do lado de Flávio, a estratégia parece ser transformar a acusação em vitimização e reforçar sua agenda de segurança pública. O senador mantém a promessa de “guerra ao crime organizado” como principal bandeira.
Enquanto isso, as investigações da Polícia Federal sobre as conexões entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro seguem em curso no STF. O desfecho pode ter impacto decisivo não apenas na campanha presidencial, mas na configuração política do Rio de Janeiro para os próximos anos.
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