Rússia e Coreia do Norte aprofundam aliança militar com previsão de envio de até 50 mil soldados contra a Ucrânia

Moscou, Kiev — Diante do desgaste acumulado nas frentes de batalha e das dificuldades contínuas para recompor suas fileiras com novos recrutas locais, a Rússia voltou a recorrer de forma massiva à Coreia do Norte para dar sustentação à sua ofensiva militar na Ucrânia. Informações divulgadas pelas autoridades ucranianas e por inteligências internacionais apontam que o regime do presidente Vladimir Putin prepara o recebimento de um novo e significativo contingente de soldados norte-coreanos, além de reforço no arsenal de mísseis balísticos.

​Segundo declarações recentes do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, com base em relatórios da Diretoria Principal de Inteligência de Kiev (GUR), a cooperação entre Moscou e Pyongyang atingiu um patamar inédito. Se nos primeiros estágios da parceria o apoio envolvia centenas ou milhares de homens, a projeção atual contempla a mobilização e deslocamento de 30 mil a 50 mil militares da Coreia do Norte para apoiar as forças russas.

​Além da infantaria, a inteligência militar ucraniana identificou a transferência recente de uma unidade especializada de mísseis da Coreia do Norte para o oeste do território russo, na região de Voronezh. O grupo é composto por cerca de 90 operadores habilitados no manuseio de sistemas balísticos como os modelos KN-23 e KN-24, os quais têm sido empregados intensivamente pela Rússia contra posições estratégicas e infraestruturas urbanas na Ucrânia.

​Crise de recrutamento e aposta em tropas estrangeiras

​A busca por reforços externos reflete o custo humano e material enfrentado pelo Kremlin. O recurso a tropas enviadas por Kim Jong Un serve como uma alternativa crucial para conter o impacto político interno que uma nova mobilização compulsória em larga escala causaria dentro da sociedade russa.

​A cooperação direta ganhou amparo formal após a assinatura do Tratado de Parceria Estratégica Abrangente entre Vladimir Putin e Kim Jong Un. O acordo, que inclui uma cláusula de assistência militar mútua em caso de agressão externa, selou uma aliança que tem fornecido à Rússia milhões de projéteis de artilharia (principalmente nos calibres 122 mm e 152 mm) e suporte de infantaria especial.

​Em contrapartida pela transferência de armas e tropas, Pyongyang tem obtido acesso a tecnologias militares russas altamente sensíveis, incluindo sistemas de defesa aérea, equipamentos de guerra eletrônica, tecnologia espacial e assistência para a modernização de suas capacidades bélicas operacionais.

​Reações internacionais e escalada no conflito

​A expansão da presença militar norte-coreana na Europa Oriental suscita apreensão global. Kiev alertou que a experiência prática de combate adquirida pelos militares de Pyongyang em cenários modernos de alta intensidade fortalecerá as capacidades táticas da Coreia do Norte, representando um fator de instabilidade acrescido para a região do Indo-Pacífico.

​Diante do avanço dessa aliança, o governo ucraniano reforçou os apelos a parceiros ocidentais e asiáticos — como Coreia do Sul e Japão — por assistência urgente na área de defesa aérea e interceptadores de mísseis balísticos. Para analistas internacionais, o avanço militar conjunto entre Rússia e Coreia do Norte reforça a sinalização de que o conflito caminha para uma fase prolongada de maior escalada técnica e operacional.


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