Vitórias na América Latina estimularam governo Trump a antagonizar Brasil, avaliam especialistas

WASHINGTON E BRASÍLIA — O recente avanço do campo conservador em importantes pleitos eleitorais na América Latina — marcado por vitórias de nomes de direita e centro-direita em países como Chile, Colômbia e Peru — reorganizou a correlação de forças políticas na região e alterou os eixos da diplomacia hemisférica. Segundo analistas de política internacional, o desempenho eleitoral favorável aos conservadores reforçou a convicção do governo de Donald Trump em Washington de que a pressão diplomática e as sinalizações políticas diretas na região produzem resultados efetivos.

​Essa leitura acabou por encorajar a Casa Branca a adotar uma postura mais ostensiva e antagônica em relação ao Brasil, sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia reflete a percepção de Washington de que a esquerda sul-americana encontra-se isolada e desgastada, abrindo espaço para um cerco político do qual o Brasil passa a ser um dos principais alvos.

​Mudança no mapa eleitoral da América do Sul

​A sequência de resultados na região — a exemplo das recentes disputas nas quais Keiko Fujimori garantiu vantagem no Peru e Abelardo de la Espriella venceu a disputa presidencial na Colômbia, somadas ao avanço conservador observado anteriormente no Chile — fortaleceu a narrativa de uma guinada à direita na América do Sul. Para o Departamento de Estado americano, esses desfechos foram interpretados como uma validação da postura linha-dura contra governos de perfil progressista.

​Analistas ressaltam que os desdobramentos nesses países serviram de catalisador para que o governo de Donald Trump endurecesse seu tom frente ao Palácio do Planalto. A avaliação em Washington é de que o isolamento do governo brasileiro em um continente crescentemente alinhado à direita enfraquece a margem de manobra diplomática de Brasília.

​Tensão nas relações bilaterais

​Com a consolidação desses novos blocos regionais, especialistas apontam que a diplomacia dos Estados Unidos enxerga a janela perfeita para pressionar o Brasil em pautas multilaterais, comerciais e de segurança regional. A estratégia envolve contrapor a posição do Brasil em temas globais, desqualificar agendas de integração regional alavancadas pela esquerda e estimular um contraponto direto à liderança brasileira no Sul Global.

​Por outro lado, o governo brasileiro busca reagir reforçando o pragmatismo nas relações exteriores e buscando alianças pontuais com os países vizinhos, a despeito das diferenças ideológicas dos governantes recém-eleitos. No entanto, analistas alertam que o cenário é desfavorável e que a pressão vinda de Washington tende a se intensificar na medida em que a polarização na região atua como vitrine para a política externa norte-americana.


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