Maringá

Prefeitura de Maringá e Proamusep enfrentam crise após demissão de 50 servidores do Samu

Uma decisão administrativa tomada nesta quinta-feira (8) gerou um forte embate político e técnico sobre a gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Maringá. A prefeitura anunciou a extinção de 50 cargos, alegando que a medida é necessária para corrigir uma irregularidade jurídica que se arrasta desde 2017 e que já causou um prejuízo superior a R$ 15 milhões aos cofres públicos.

​O impasse jurídico e o “rombo” milionário

​Segundo a atual gestão municipal, o problema reside na incompatibilidade de regimes de trabalho. Os 50 profissionais desligados (médicos, enfermeiros e motoristas) eram contratados pelo Município sob o regime CLT, com jornada de 8 horas diárias. No entanto, o Samu Regional opera, por exigência técnica e judicial, em escalas de 12×36 horas.

​Essa divergência gerou, ao longo de sete anos, um volume excessivo de horas extras e processos trabalhistas. De acordo com a Secretaria de Saúde de Maringá, a correção desse modelo deveria ter ocorrido ainda em 2017, mas a omissão das gestões anteriores resultou no pagamento de indenizações milionárias. “Sete anos de omissão custaram caro. Corrigir o erro não é perseguição, é responsabilidade”, afirmou a administração em nota oficial veiculada pelo portal O Diário de Maringá.

​Reações políticas e o papel do Sismmar

​A decisão não foi bem recebida por todos os setores. O ex-prefeito Ulisses Maia manifestou-se nas redes sociais classificando a medida como “irresponsável” e um “risco à saúde pública”. Por outro lado, a prefeitura rebateu as críticas, tratando-as como “ruído e fake news”, garantindo que o atendimento à população não será interrompido.

​O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar) já anunciou que acionará o Ministério Público do Trabalho (MPT). A entidade argumenta que trabalhadores com décadas de serviço, alguns desde 2004, estão sendo desligados abruptamente e promete mover ações judiciais individuais e coletivas para proteger os direitos da categoria.

​Como fica o atendimento?

​O secretário municipal de Saúde, Antonio Carlos Nardi, e o diretor técnico do Samu Norte Novo, Etore Moscardi, asseguraram que o Consórcio Público Intermunicipal de Gestão da Amusep (Proamusep) está preparado para a transição.

​Para evitar a descontinuidade do serviço, as autoridades destacaram os seguintes pontos:

  • Aviso Prévio: Os servidores cumprirão 30 dias de aviso, garantindo uma transição gradual.
  • Reserva Técnica: O Samu pretende convocar aprovados em concursos vigentes para preencher as lacunas.
  • Indenizações: A prefeitura garantiu o pagamento de todas as verbas rescisórias, incluindo aviso prévio e FGTS.

​Enquanto a prefeitura defende que a “limpeza administrativa” é o único caminho para estancar o prejuízo ao contribuinte, o clima entre os profissionais é de incerteza. A judicialização do caso parece iminente, colocando o futuro da gestão do Samu sob os holofotes do Ministério Público e da Justiça do Trabalho em 2026.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

WP2Social Auto Publish Powered By : XYZScripts.com