A gestão da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) voltou ao centro do debate político no início deste ano, após a divulgação de áudios que apontam um suposto esquema de corrupção envolvendo a estatal. O caso, que ganhou forte repercussão nas redes sociais e em setores da oposição, levanta suspeitas sobre o uso de recursos para o financiamento da campanha eleitoral do governador Ratinho Júnior (PSD) em 2022.
Apesar da gravidade das acusações, o Governo do Estado mantém uma postura defensiva, classificando o episódio como uma “denúncia antiga” e sem fatos novos que justifiquem a desestabilização da gestão. De acordo com fontes oficiais, o impacto direto do escândalo sobre o governador Ratinho Júnior é considerado nulo pela cúpula do Palácio Iguaçu, que vê no movimento uma tentativa de desgaste político por parte de adversários.
Oposição cobra transparência e órgãos de controle
Do outro lado, a bancada de oposição na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), liderada pelo deputado Arilson Chiorato (PT), aumentou o tom das cobranças. Em declarações recentes no final de dezembro de 2025 e início de janeiro de 2026, os parlamentares exigiram que o Ministério Público e o Tribunal de Contas aprofundem as investigações sobre os áudios, que mencionam cobranças por cargos e ameaças internas na companhia.
”Os áudios existem e precisam ser esclarecidos pela Justiça. O governo não pode tratar o assunto como encerrado”, afirmou Chiorato em nota oficial. A pressão se soma a um histórico de operações anteriores, como a “Ductos” do GAECO e ações da Polícia Federal em anos passados, que já haviam mirado fraudes em licitações e pagamentos de propina envolvendo servidores da estatal e empresas privadas.
O cenário da Sanepar e o futuro político
O embate ocorre em um momento sensível para Ratinho Júnior, cujo nome é frequentemente citado como um dos potenciais presidenciáveis para as eleições de 2026. A manutenção da estabilidade da Sanepar e da Copel — outra gigante estatal — tem sido um pilar de seu discurso de eficiência administrativa.
Enquanto a oposição tenta vincular os supostos desvios à cúpula do governo, a base aliada reforça que a Sanepar atua com independência e que eventuais irregularidades pontuais de funcionários já foram ou estão sendo punidas administrativamente.
Até o momento, não há decisões judiciais que impliquem diretamente o governador nas denúncias recentes, mantendo o “placar” de impacto jurídico contra o chefe do Executivo em zero, embora o desgaste na imagem pública e o uso do tema no palanque eleitoral já sejam realidades consolidadas para os próximos meses.







