SÃO PAULO — A histórica rivalidade esportiva entre Brasil e Argentina ultrapassou os limites dos gramados e tem alimentado episódios alarmantes de intolerância no cotidiano das grandes cidades brasileiras. Relatos de argentinos residentes na capital paulista apontam para uma escalada nos discursos de ódio, ameaças e atos de vandalismo motivados pelo clima hostil intensificado nas arquibancadas e redes sociais.
Moradores da cidade de São Paulo vêm relatando situações de constrangimento e violência verbal que atingem desde jovens até famílias inteiras. Entre os episódios registrados estão pichações com ofensas, tentativas de invasão de domicílios, vandalismo em condomínios e hostilidades gratuitas motivadas pelo simples uso de vestimentas da seleção argentina ou pelo sotaque em locais públicos e ambientes escolares.
O fenômeno reflete um acirramento perigoso na convivência entre as duas populações. Historicamente pautada pela provocação bem-humorada e jocosa, a provocação no futebol vem dando lugar a comportamentos xenofóbicos que violam a legislação local e colocam a segurança física e psicológica dos imigrantes em risco. Especialistas alertam que a naturalização do preconceito em contextos esportivos é o principal catalisador do discurso de ódio nas ruas.
Diante do avanço dos casos reportados pela imprensa, a reportagem buscou posicionamento oficial do Consulado Geral da Argentina em São Paulo para verificar se há orientação jurídica, registros consulares de agressões ou pedidos de assistência diplomática aos cidadãos afetados, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. As autoridades e órgãos de segurança locais seguem monitorando as denúncias sobre agressões decorrentes da intolerância de gênero, raça e nacionalidade.
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