Economia

IPCA de dezembro encerra 2025 dentro da meta e acirra pressão sobre Copom por queda de juros

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (9) os dados oficiais do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referentes a dezembro. O resultado consolida a inflação de 2025 em um patamar que, embora dentro do intervalo de tolerância, mantém o Banco Central em uma posição de cautela extrema e prolonga o ruidoso debate sobre a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano.

​O Retrato de 2025: Entre o Alívio e a Persistência

​A inflação oficial do Brasil fechou o ano de 2025 acumulada em aproximadamente 4,4%, ligeiramente abaixo do teto da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5% (meta de 3% com margem de 1,5 ponto percentual).

​Apesar de o número final representar uma vitória técnica para o governo e para o Banco Central — sendo a primeira vez desde 2023 que o índice termina o ano “dentro do trilho” — os detalhes do relatório de dezembro trazem sinais mistos que preocupam os analistas:

  • Serviços Resilientes: O chamado “núcleo de serviços”, que reflete preços de mão de obra e consumo das famílias, mostrou resistência, rodando acima da média geral.
  • Pressão Sazonal: As passagens aéreas e os alimentos voltaram a pressionar o índice no último mês do ano, neutralizando parte das quedas observadas em artigos de residência e eletrônicos após a Black Friday.
  • Energia Elétrica: O setor de habitação foi o vilão do ano, com a energia elétrica residencial acumulando alta superior a 11% em 2025, impulsionada por bandeiras tarifárias mais caras.

​O Dilema do Banco Central e a Taxa Selic

​Com o IPCA de dezembro em mãos, o Comitê de Política Monetária (Copom) entra em 2026 sob fogo cruzado. De um lado, o setor produtivo e o governo defendem que a inflação dentro da meta e a desaceleração do PIB (projetado em 1,7% para 2026) justificam cortes imediatos na taxa de juros. Do outro, o Banco Central, agora sob a gestão de Gabriel Galípolo, sinaliza que a convergência para o centro da meta (3%) ainda não está garantida.

​”O dado de dezembro é um divisor de águas. Ele mostra que a inflação parou de subir, mas não está ‘derretendo’. O BC precisa decidir se mantém o pé no freio para garantir os 3% em 2026 ou se começa a aliviar a carga sobre o crédito agora”, afirma André Matos, CEO da MA7 Negócios.

​Expectativas para 2026

​O mercado financeiro, via Relatório Focus, já começou a ajustar as velas. A aposta majoritária é de que o ciclo de cortes da Selic comece apenas na reunião de março de 2026, com a taxa básica encerrando o ano em torno de 12%.

A próxima reunião do Copom será decisiva para definir se o tom do Banco Central continuará “parcialmente restritivo” ou se haverá uma sinalização clara de queda, o que impactaria diretamente o custo do crédito e o consumo das famílias brasileiras já neste primeiro trimestre.

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