Condenado, Domingos Brazão recebeu R$ 726 mil do TCE-RJ mesmo após prisão pelo caso Marielle
A trajetória financeira de Domingos Brazão no serviço público fluminense revela cifras impressionantes, mesmo em meio ao cárcere. Desde que foi preso preventivamente em março de 2024, sob a acusação — agora convertida em condenação — de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) amealhou mais de R$ 726,2 mil em vencimentos.
O peso do contracheque na prisão
Mesmo detido na Penitenciária Federal de Porto Velho (RO), Brazão continuou a figurar na folha de pagamento do tribunal. Os dados mais recentes apontam:
- Vencimentos totais: Desde o crime, em março de 2018, Brazão recebeu um montante que ultrapassa R$ 3,1 milhões.
- Salário atual: Em fevereiro de 2026, seu último rendimento antes da sentença definitiva somou R$ 35.567,60 (valor líquido somado a auxílios).
- Férias e benefícios: Em 2024, logo após a prisão, o tribunal chegou a depositar cerca de R$ 741 mil referentes a férias acumuladas, decisão que foi alvo de intensas disputas judiciais.
Condenação histórica no STF
Nesta quarta-feira (25 de fevereiro de 2026), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou um dos capítulos mais dramáticos da justiça brasileira. Por unanimidade, os ministros condenaram os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão a 76 anos e três meses de prisão.
”Não existe crime perfeito, existe crime mal investigado. Havia mãos poderosas nesse crime”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes durante a leitura do voto, destacando que a investigação foi dolosamente negligenciada no início para proteger os mandantes.
Desfecho administrativo e penal
Com a condenação, o cenário para o ex-conselheiro mudou drasticamente:
- Perda do cargo: O STF determinou a perda imediata do cargo público de conselheiro do TCE-RJ.
- Direitos políticos: Suspensão dos direitos políticos e inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena.
- Indenização: Os réus deverão pagar R$ 7 milhões em danos morais às famílias das vítimas.
A defesa de Domingos Brazão sempre negou o envolvimento com as milícias e o planejamento do atentado, sustentando que a condenação se baseou em delações sem provas de corroboração direta. Contudo, para o STF, o conjunto probatório foi “harmônico e convergente”.
































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