Em um desdobramento significativo para o conflito que já dura quase quatro anos, o presidente russo, Vladimir Putin, indicou pela primeira vez estar disposto a discutir uma “troca de territórios” com a Ucrânia. A sinalização ocorreu durante uma reunião a portas fechadas com a elite empresarial russa nesta semana e foi divulgada pelo jornal Kommersant.
Embora mantenha a exigência central de controle total sobre a região do Donbas (Donetsk e Luhansk), Putin teria demonstrado abertura para devolver ou trocar pequenas áreas ocupadas nas regiões de Kharkiv e Zaporizhzhia.
Os pontos centrais da negociação
As movimentações diplomáticas ganharam tração após a cúpula de Anchorage, no Alasca, realizada em agosto de 2025, onde Putin e o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, estabeleceram “entendimentos” preliminares.
Os principais pilares da proposta atual incluem:
- Soberania do Donbas: A Rússia exige os cerca de 5.000 km^2 do Donbas que ainda estão sob controle ucraniano.
- Gestão Nuclear: Uma proposta inédita sugere a administração conjunta da Uina Nuclear de Zaporizhzhia (a maior da Europa) entre Rússia e Estados Unidos.
- Zona Desmilitarizada: O presidente Volodymyr Zelensky apresentou nesta quarta-feira (24) uma contraproposta que aceita a retirada de tropas de partes do leste para criar uma “zona econômica livre”, desde que a Rússia faça um recuo espelhado.
Reações e obstáculos
Apesar do tom mais flexível em Moscou, o governo ucraniano mantém cautela. Zelensky afirmou que qualquer acordo envolvendo territórios precisará ser submetido a um referendo popular. Além disso, Kiev exige garantias de segurança robustas, similares ao Artigo 5 da OTAN, para evitar que uma trégua seja usada pela Rússia para se rearmar.
No campo de batalha, a pressão continua. Relatos do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) indicam que, enquanto as conversas ocorrem, a Rússia mantém ataques intensos contra a infraestrutura de energia ucraniana, tentando forçar uma rendição antes do inverno rigoroso de 2026.
”A resposta deve vir do povo da Ucrânia. Sem segurança, a legitimidade de qualquer acordo estará em questão”, declarou Zelensky em pronunciamento recente.







