O ano de 2026 promete ser um divisor de águas para a geopolítica da América Latina. Com as urnas abertas em potências regionais como Brasil e Colômbia, além de um Peru em busca de estabilidade, o cenário eleitoral será inevitavelmente influenciado pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca. A combinação de pressões econômicas, políticas migratórias rígidas e o fortalecimento de movimentos conservadores cria um tabuleiro complexo para candidatos de todas as vertentes.
Os principais palcos da disputa
Brasil: A polarização levada ao limite
No maior país da região, a eleição presidencial de outubro de 2026 já domina as discussões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora enfrente debates sobre sua idade e sucessão, aparece como o nome natural da esquerda. Do outro lado, a direita busca se consolidar: com Jair Bolsonaro atualmente inelegível, nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ganham força. A vitória de Trump nos EUA é vista por aliados de Bolsonaro como um combustível moral e político para tentar reverter decisões judiciais e mobilizar a base conservadora.
Colômbia: O teste da “Paz Total”
Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história moderna da Colômbia, enfrentará o julgamento das urnas (através de seu sucessor ou coalizão) em um clima de incerteza. Com a popularidade oscilando em torno de 37% e críticas crescentes à sua estratégia de segurança, o país vê a ascensão de figuras como Sergio Fajardo e outros nomes da direita que prometem “mão dura”. O atentado contra o político Miguel Uribe em 2025 acirrou os ânimos, tornando a segurança pública o tema central da disputa.
Peru: O fim da era Boluarte?
Após anos de turbulência política, a presidente Dina Boluarte convocou eleições gerais para 12 de abril de 2026. Impedida por lei de buscar a reeleição e sob investigação por diversos escândalos, Boluarte entrega um país fragmentado. A expectativa é que o pleito tente encerrar um ciclo de trocas constantes de presidentes, mas o cenário ainda carece de lideranças claras que unifiquem o eleitorado.
Outros pleitos: Além desses, países como Costa Rica também devem realizar eleições presidenciais no início do ano (fevereiro de 2026), mantendo a agenda democrática da região intensa.
O “Fator Trump” e a Doutrina Monroe
A influência de Washington em 2026 não será apenas diplomática, mas direta e pragmática:
- Apoio Ideológico: A gestão Trump já sinalizou que a promoção de governos conservadores na América Latina faz parte de sua estratégia de segurança nacional. Candidatos alinhados ao “estilo Trump” — focado em soberania, valores tradicionais e críticas a organismos multilaterais — devem receber apoio simbólico (e talvez político) direto dos EUA.
- Pressão Econômica e Tarifas: A ameaça de tarifas de importação e sanções como ferramenta de negociação pode desestabilizar economias locais, influenciando o voto de eleitores preocupados com a inflação e o emprego. No Brasil, analistas apontam que o discurso nacionalista de Lula pode colidir ou se beneficiar desse atrito, dependendo da narrativa adotada.
- Migração e Fronteiras: Com Trump priorizando o controle de fronteiras como “elemento principal” de sua agenda, governos latino-americanos serão pressionados a colaborar com políticas migratórias restritivas, sob risco de cortes de auxílio ou retaliações comerciais.
Em suma, 2026 não será apenas um ano de votações locais, mas um teste de resistência para as democracias da América Latina frente a uma nova era de intervenção conservadora vinda do Norte. O resultado dessas urnas determinará se a região seguirá em um ciclo de governos progressistas ou se mergulhará em uma nova onda de direita, agora com o aval explícito da Casa Branca.







