Internacional

Governo Trump altera acusação contra Maduro após captura militar em Caracas

Em uma reviravolta jurídica e diplomática, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revisou formalmente as acusações contra o ex-líder venezuelano Nicolás Maduro. A mudança ocorre poucos dias após a histórica operação militar norte-americana que resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em solo venezuelano no último sábado (3).

​O Recuo na Retórica

​Até a semana passada, a administração de Donald Trump descrevia Maduro como o “chefe” do Cartel de los Soles, uma suposta organização criminosa composta por altos oficiais militares da Venezuela. No entanto, no novo documento apresentado à Justiça de Nova York nesta terça-feira (6), a linguagem foi suavizada.

  • Antiga acusação: Maduro era apontado como o líder direto de uma organização terrorista narcotraficante.
  • Nova acusação: Maduro passa a ser descrito como alguém que “participa, protege e perpetua uma cultura de corrupção” que se beneficia do tráfico de drogas, em vez de ser o comandante direto da estrutura.

​Essa alteração é vista por analistas jurídicos como um movimento técnico para garantir uma condenação mais sólida, uma vez que a existência de um “cartel” com estrutura piramidal liderada por Maduro é frequentemente contestada por relatórios da ONU e da própria DEA.

​Prisão e Tribunal

​Maduro compareceu ao tribunal federal de Manhattan na última segunda-feira (5). Durante a audiência, o ex-líder venezuelano foi enfático em sua defesa:

​”Fui sequestrado em minha casa, em Caracas. Sou inocente, sou um homem decente e o presidente do meu país”, declarou Maduro em espanhol.

​O juiz Alvin Hellerstein ordenou que Maduro e Flores permaneçam detidos sem fiança. A próxima audiência está marcada para o dia 17 de março de 2026. Se condenado pelas acusações de narcoterrorismo e conspiração para importação de cocaína, Maduro pode enfrentar a prisão perpétua.

​Tensões Internacionais

​A operação militar que capturou Maduro gerou uma onda de reações globais. Enquanto Trump afirma que os EUA agora “estão no comando” da Venezuela até que uma transição seja organizada, outros países reagiram com dureza:

  1. Brasil: O governo brasileiro chamou o ato de “sequestro” e alertou para o risco da “lei da selva” no direito internacional.
  2. China e Irã: Ambos condenaram a ação como uma violação flagrante da soberania nacional venezuelana.
  3. ONU: O Alto Comissariado para os Direitos Humanos expressou preocupação com a legalidade da intervenção militar em território estrangeiro para fins de extradição forçada.

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