Economia

PicPay oficializa pedido de IPO nos EUA e mira captação de US$ 500 milhões na Nasdaq

O PicPay, ecossistema financeiro controlado pela holding J&F (dos irmãos Joesley e Wesley Batista), deu um passo decisivo para sua abertura de capital. Na última segunda-feira, 5 de janeiro de 2026, a companhia protocolou oficialmente o seu pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) perante a Securities and Exchange Commission (SEC), a autoridade regulatória dos Estados Unidos.

​Esta é a segunda tentativa da fintech de listar suas ações no mercado americano. Em 2021, o PicPay chegou a registrar um pedido semelhante, mas recuou devido à volatilidade macroeconômica e às condições de mercado adversas na época. Agora, a empresa retorna com um perfil financeiro mais robusto e sob o ticker “PICS” na bolsa eletrônica Nasdaq.

​Os números por trás da oferta

​Diferente da tentativa anterior, quando ainda operava no prejuízo (característico de empresas de crescimento acelerado), o PicPay apresenta agora indicadores de rentabilidade sólida. De acordo com o prospecto enviado à SEC, os principais destaques financeiros de 2025 incluem:

  • Lucro Líquido: R$ 313,8 milhões nos primeiros nove meses de 2025 (uma alta de 82,4% em relação ao ano anterior).
  • Receita Total: R$ 7,26 bilhões no mesmo período, praticamente dobrando o faturamento em um ano.
  • Base de Clientes: 66 milhões de contas cadastradas, com 42,1 milhões de usuários ativos.
  • Volume de Pagamentos (TPV): R$ 392,46 bilhões transacionados até setembro de 2025.

​Estrutura e investidores de peso

​A operação visa captar até US$ 500 milhões (aproximadamente R$ 2,5 bilhões). Um dos grandes trunfos desta nova tentativa é o apoio de Marcelo Claure, ex-executivo do SoftBank, que indicou a intenção de investir até US$ 75 milhões na compra de ações Classe A por meio de seu grupo de investimentos.

​A estrutura acionária proposta divide os papéis em duas classes:

  1. Classe A: Um voto por ação (destinadas ao mercado público).
  2. Classe B: Dez votos por ação (mantidas pelos controladores da J&F para garantir o poder de decisão).

​Por que os EUA?

​O movimento do PicPay segue a trilha de outras gigantes brasileiras do setor financeiro, como o Nubank e o Inter, que optaram pelas bolsas americanas em busca de maior liquidez e investidores familiarizados com o setor de tecnologia.

​Os recursos captados serão destinados ao fortalecimento do capital regulatório, investimentos em inteligência artificial e tecnologia, além de possíveis aquisições estratégicas para expandir o ecossistema da marca.

Bastidores do Mercado: Os coordenadores globais da oferta são os gigantes Citigroup, Bank of America (BofA) e RBC Capital Markets. A expectativa é que o IPO ocorra ainda no primeiro semestre de 2026, a depender da janela de mercado.

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